quinta-feira, agosto 09, 2007

PAVÃO VAIDOSO

Era um belo rapaz,
de caracóis loiros,
de tez aveludada,
na esperada
promessa de juventude.

Era um pardalito
livre, mas indefeso.

O tempo foi passando,
e assumiu a magnificência
de um altivo pavão:
deslumbrante,
estilo aparatoso,
real, vaidoso,
esbelto, marcante,
de formas invejáveis...

E ele sabia-o!

não media meios
para continuar
a fazer realçar
todo o seu belo ser,
na rede de toda a mulher.

O inimigo começou a perscrutar.
Roído de inveja voraz
ensombrou-lhe o fulgurar.

Deitou-lhe uma moxinifada.
Esfandegou-o, inflexível.
Reduziu-o a um nada.

Este,
sopeado, nem reagiu.
O outro fugiu.

Em frente ao espelho do lago,
rendeu-se ao desencanto.
Não se tinha preparado.
A vaidade sabia-lhe a pranto!


Foto e poema de: Fernanda

Posted by Picasa

18 comentários:

astrid disse...

Fernanda
O amor e o ódio duas faces da mesma moeda.Não será?
E a beleza precisa de ser castigada?
Ou a vaidade precisa de castigo?
A vaidade é feia , muito feia.
Bj

Sol da meia noite disse...

Assim é a vida...
Sem querer, incomodamos sempre alguém...
E os incomodados nem sempre têm modos correctos de proceder.

Muitos beijinhos!

Josse disse...

E quantos destes não merecem bem este mesmo destino. Sempre a nos armar suas redes.
Adorei o seu cantinho.
Deixo-te aqui doces beijos e bons desejos.
Bjs

C Valente disse...

Boa foto bom poema,
E o pavão vai-se exibindo, e até á quem o ache importante
Saudações amigas com um beijo

Era uma vez um Girassol disse...

Os pavões são vaidosos por natureza e têem razão para tal...
Mas o bicho-homem que os imita é uma farsa, não dura muito.
Teve a sua conta...
Será que ganhou juizo?
O pior é que fazem sofrer.
Beijinhos

Fernanda e Poemas disse...

Astrid, obrigada pela visita, sabes o que eu considero um sentimento muito feio, A VAIDADE.
Todos nós devemos ter um pouco de vaidade,na medida certa.
Como dizia a minha Avó a vaidade é o sal e a pimenta da vida.

Muitos beijinhos,

Fernanda

Fernanda e Poemas disse...

Sol da Meia Noite,
Obrigada pela visita.
É sempre bom ler o teu comentário.

Beijocas,

Fernanda

Fernanda e Poemas disse...

Josse, os meus agradecimentos pela tua visita.

Beijinhos,

Fernanda

Fernanda e Poemas disse...

C Valente, é sempre um prémio para mim,
quando leio o seu comentário.
Ontem, fui visitar o seu blogue, muito para trás, quase do início.
Gostei muito. Está um belo fotógrafo.
Parabéns.

BJS,

Fernanda

Fernanda e Poemas disse...

Era Uma VEz Um Girasol,
minha querida amiga,não englobo todos os homens no mesmo saco.

Sabes, para mim os homens são sobretudo óptimos amigos.

Sem eles também não podemos passar.

Beijinhos,

Fernanda

poetaeusou disse...

*
fernanda e poema
*
um vaidoso sagaz ?
não, essa não
de pardal a pavão …
em reflexo, desolado
no lago espelhado
coitado do rapaz ...
*
beijo mareante
*

Uirá Felipe disse...

Muito bom Poema! Apaixonado, vigoroso1 Acho incrivel como a língua escrita de portugal é intensamente mais rica que a brasileira. Parece que o que perdemos em conteúdo vocabular ganhamos em ritmo, teatro, som, dança, a afro-indigena cultura que em todos nós habita, do samba à capoeira, essa habilidade aos ritmos, aos pulsos, aos sentidos que abstraem a existência de um intelecto, mas que o fazem somente de maneira superficial... AHhhhhf

adorando teus poemas.

Saudações!

C Valente disse...

Bom fim de semana
saudações amigas com beijo

Fernanda e Poemas disse...

C Valente,muito obrigada bom fim de semana Também para si,

BJS,

Fernanda

Fernanda e Poemas disse...

Uirá, obrigada pelo seu comnentério ao meu poema, fico muito feliz.

Beijos,

Fernanda

Fernanda e Poemas disse...

Poeta, obrigada pela visita, é sempre um enorme prazer receber-te no meu cantinho.

Beijos,

Fernanda

Miriam disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miriam disse...

Triste constatar que os valores da humanidade estão se invertendo e chegando a níveis nunca antes imaginados. A inveja aos dotes alheios causa mais dissabor e descontentamento à sociedade do que a violência... Os dotes alheios são considerados motivos suficientes para cometer tal atrocidade... Belíssimo poema, porém discordo das interpretações descritas...