quarta-feira, agosto 08, 2007

FALSO AMOR

Pétala a pétala se desfaz a flor,
que dia após dia reguei com desvelo,
foram o silêncio, a solidão, a dor,
que a desfiaram como a um novelo!

É tarde, somente seu caule me resta,
firme como a cruz austera que acarreta,
olho o são onde repousa a bela cesta,
de pétalas enfraquecidas repleta

Levanto do chão a cesta colorida,
que em si transporta as mágoas de alguém,
esvazio a cesta da agonia contida,
desfecho com amor tão duro desdém

Surge uma donzela, surge um novo amor,
que as pétalas acolhe em seu regaço,
beija uma a uma com o seu calor,
regando-as com lágrimas num abraço

Junta-as ao caule, com grande harmonia,
surgindo em suas mãos uma outra flor
silvestre, mas radiante de alegria
ao ver-se liberta de um falso amor!...


Fernanda

2 comentários:

Sol da meia noite disse...

Obrigada pela visita!

Lindo poema!
Fez-me lembrar contos da minha infância... Em que havia uma donzela e no fim tudo ficava bem...

Mas assim é a vida; ainda bem que alguém cuida do que ficou ao abandono...

Beijinho!

Fernanda e Poemas disse...

Sol da meia noite,fico feliz que tenho gostado do meu poema.
Obrigada,

BJS,

Fernanda