sábado, setembro 20, 2008

AMOR ADIADO


Entre sussuros entre ameaças de desgraça
ouviam-se ao longe as flautas os tambores
ocultando os violinos Amor que em sossego
choravam perdidamente de amor por serem breves.

Choravam por todos os amores prostituídos
que nos cabelos já desgrenhados se vendiam
junto às espingardas que em nossos corpos se enlaçavam

e ficavam sem amor porque sofriam
adiávamos tudo amor tudo adiávamos
nas baladas que misteriosamente nos percorriam

eram quebradas todas as margens que nos chamavam
entre blusões e calças jeans que se rasgavam
para nos amarmos em todos aqueles que ao partirem
se aconchegavam junto às lágrimas que doíam

germinando nas pálpebras amigas meu Amor
de todos os que embora inteiros
ainda viviam !...

e nós desesperávamos Amor porque sonhávamos
adiando todo esse amor que se perdia
num adágio de Tchaikovsky que soava
entre duas violas pachorrentas que m0rriam

que ainda morriam de amor
enquanto esperávamos

e enquanto esperávamos meu Amor
nós resistiamos !...

Era o amor meu Amor que se apagava
nos ventos solitários que longe lá muito longe
nos seduziam

era o amor meu Amor que se anunciava
num Maio de Sessenta e Oito que nos gritava
húmido de preces em todos os lençóis onde dormíamos

onde dormiamos Amor desesperados
e em desespero morríamos Amor

como morríamos !...

Chorávamos como Tristão chorava
por Isolda !...

Iamo-nos inspirando meu Amor devagarinho
num quadro de Picasso inacabado
em Guernica seguindo os passos do inferno
que os nossos corpos soluçantes atormentavam

desvendávamo-nos para além da solidão
e embriagados aos solavacos nos beijávamos
recordando ao serão Amor a nossa infância
bem juntinhos a uma valsa de Strauss

afectuosa infância meu Amor que escondiamos

nas algemas onde apressadamente envelhecíamos

e esboçávamos sempre mais um sorriso meu Amor
enigmático e ténue sorriso que lembrava
os dedos de Da Vinci desenhando
os lábios de uma Gioconda que sofria

e que sorria como nós Amor
como sorria !...

a Gioconda onde Da Vinci se eternizava.

Fernanda Costa

Lisboa, 2o de Setembro de 2008
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sábado, setembro 13, 2008

AMOR PROIBIDO


Pressentiam-se os violinos no silêncio
desse amor que já fora de Pedro e Inês.

Mas nós caminhávamos ausentes meu Amor
suspensos de uma certa flor que renascia
nos gestos adivinhados que nunca acontecendo
serenamente em segredo quase que aconteciam.

Até que dentro de nós por fim se iniciasse
essa imensa e estranha ode à alegria
que Beethoven junto a nós se esforçava
por trazer entre os dedos entre estes lábios
essa força de reunir todos os dias
num só dia Amor !... apenas num só dia !...

Mas nós Amor sozinhos estremecíamos
ficavamos presos às teclas de um piano que tocava
naquelas madrugadas já frias tão distantes
um místico nocturno de Chopin que de tão triste
entristecia aquelas manhãs da nossa ausência Amor.

Como era triste !...

Como era triste Amor a nossa ausência
quando Chopin se cobria de negro e resistia
nos nossos olhos já húmidos de cansaço
e sofria sozinho Amor.

Como sofria !...

E nós adormecíamos tão longe das nossas mãos
que Deus já distraído Amor se esquecia
de tudo o que em nós quase que acontecendo
nunca acontecia Amor !... nunca acontecia !...

Éramos Romeu e Julieta entre grinaldas
entre cambraias e cetins entre açucenas
suspirávamos de Amor como convinha
a tanto Amor a tanta ilusão comprometida.

E sempre sorrindo amor nós respirávamos
os sorrisos que inventávamos mansamente
junto às suavíssimas mãos que nos cercavam
aquela tão pequenina lágrima que partia.

Era o Amor que ausentando-se de nós Amor
nos magoava !...
Era o Amor que ausentando-se de nós Amor
tanto nos feria !...

E nós amor sentados ao piano nas madrugadas
com as minhas mãos nas tuas mãos nas nossas mãos
espreguiçávamo-nos em todas as inspirações que nos exaltavam
distribuíamo-nos em todos os sorrisos com que sorríamos.

E como sorríamos Amor !...
como sorríamos !...

Fernanda Costa

Lisboa, 13 de Setembro de 2008
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sexta-feira, setembro 05, 2008

AMOR RENASCIDO


Entre Galáxicas meu Amor vislumbramos
nesta sofreguidão do espaço entre certezas
caminhamos novamente meu Amor com as tuas mãos
nas nossas mãos entrelaçadas sobre o peito.

Que idade temos meu Amor ?... Qual a idade
que os velhos do Restelo nos dariam meu Amor
se nos vissem assim juntos apaixonados
celebrando uma sonata de Chopin à luz das velas ?...

Artisticamente incendiadas meu Amor
por um raio lazer que ainda brilha nestas taças
onde comemoramos estes cânticos que se abraçam
nestes sons de uma sinfonia no começo.

Abriram-se todos os círculos que nos rodeavam meu Amor
neste início reiventado junto do Mar
neste sonho remoído por silêncios
nesta velhice sábia de enganos e segredos.

Beijemo-nos então meu Amor deliciosamente
tão deleciosamente Amor!...
Tão devagar!...

Vem daí meu Amor vamos dançar
nesta nossa primeira viagem interplanetária!...

Se Renoir nos visse meu Amor se ele nos visse
talvez os seus pincéis se colorissem novamente
e nos pintassem meu Amor assim dançando
neste ambiente familiar que redescobrimos.

Ou reencontrámos meu Amor no esquecimento
que tinhamos ao partir ao deslocar
afinal meu Amor valeu a pena
vamos ouvir Beethoven de novo meu Amor.

Podemos agora envelhecer neste Milénio
com um ramo de flores no meu regaço para distribuir
por todos estes anos que perdemos longe do Mar
por todos estes anos que perdemos meu Amor.

Sempre a sonhar Amor!...
Sempre a sonhar!...

Fernanda Costa

Lisboa, 5 de Setembro de 2008
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sábado, agosto 30, 2008

AMOR COMPREMETIDO

Estamos aqui meu amor nesta planície
chorando junto ao mar este regresso
em alazões de asas douradas meu amor
em comprometedoras manhãs de nevoeiro.

Estamos aqui meu amor de olhos fechados
aguardando que D. Sebastião se reencontre
com o azul desta orfandade ou maldição
como estátuas que as areias modelassem.

Mas as nossas mãos amor!... as nossas mãos!...
onde estão elas amor ?...
onde elas estão?...

Onde estão as nossas palavras sacudindo-se
imberbes aloiradas ressoando
percorrendo-nos inteiras como cânticos
que flutuassem geométricos verticais
ao sabor das liberdades verdadeiras ?...

Onde estão as nossas palavras meu amor ?...
onde estão elas amor ?...
onde elas estão ?...

Tinhamos uma flor em cada mão em cada peito
e em cada solução nos abraçávamos.

Nesta apoteótica espera que nos move
numa vivência de Vivaldi que nos acalma.

ou na brusquidão subitamente acontecendo
de uma sinfonia de Wagner que atordoa.

Esta pintura de Malhoa olhando o mar
nos medos que cheios de medo ainda sofremos
na ilha dos amores de onde emigrámos

e onde sonhámos meu amor

como sonhámos!...

Fernanda Costa

Lisboa, 30 de Agosto de 2008
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quarta-feira, agosto 27, 2008

ENCANTAMENTO!...

Na praia, pelo Sol, eu fui beijada
como só beijar sabem os amantes...
Com a Alma aquecida e a pele doirada
pensava que era jovem como dantes.

E pelo calor estonteada,
recordava momentos delirantes!
Então, mais do que nunca deslumbrada
vibrava com os seus raios palpitantes!

Pensei que se assim fora a eternidade
não teria, jamais, a faculdade
de recordar momentos bons d'outrora!

Oh Sol, que és a fonte da existência!
Quero viver contigo a tua essência
e sentir que o "dantes" inda é "agora".

Fernanda Costa

Lisboa, 27 de Agosto de 2008
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sexta-feira, agosto 22, 2008

GIRASSÓIS!...

Regressava do mar e fiquei presa!
Encantamento tal, louca ventura!
Palavras para quê, se era princesa
coroada por tanta formosura ?

Girassóis agitavam a beleza
num fim de tarde, grito de procura...
Suas hastes continham a leveza
duma corola aberta e insegura!

Um momento de sonho e de verdade!
Eu era uma princesa sem idade
perdida, sem saber por onde vim!

E enquanto o sol se ia escondendo
com sombras que me iam envolvendo,
achei uma perdida igual a mim!...

Fernanda Costa

Lisboa, 22 de Agosto de 2008
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sábado, agosto 16, 2008

ÊXTASE!...

Castelo de duende torturado
batido pela brisa do luar!
És sopro dum farol iluminado
com luzes já difusas a piscar.

És dum tempo vivido, mas passado...
Erguido bem pertinho do meu mar.
Por isso, para mim, tu és sagrado!
És mistério infinito a murmurar!...

Quantas vezes, oculta junto a ti,
me lembro dos momentos que vivi
em louca correria de ilusão!

E hoje, como sombra enluarada,
ainda continuo extasiada,
porque nada na vida foi em vão!

Fernanda Costa

Lisboa, 16 de Agosto de 2008

domingo, agosto 10, 2008

VIVÊNCIAS!...

Colhi os Frutos verdes da bonança.
Colhi o Sol com cheiro a maresia.
Colhi todo o Amor de ser criança.
Colhi muitos Segredos dia a dia.

Guardei-os recheados de Esperança
vibrando com a Vida em sintonia!
Baloucei com os Ventos sempre em dança,
como um Pássaro tonto de folia!

Os frutos, o amor e os segredos
levaram-me a perder todos os medos
para não me quedar, desencantada!

Agora, evocando o que vivi
e tentando esquecer o que sofri
Feliz, prosseguirei na caminhada!

Fernanda Costa

Horta, 10 de Agosto de 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

CÂNTICO!...

Eu quero descobrir lugar romântico
copado de folhinhas de ulmeiro!
Escrever para ti um doce cântico
enfeitado com rendas de loureiro!...

Eu queria fixar neste cântico
dos olhos teus o brilho feiticeiro!...
Atravessar contigo o Atlântico
p´rachegarmos depressa ao nosso outeiro!...

Então, encontraremos a guarrida
de rochas que convidam para a vida
e Aves que estremecem a dormir!

Gritando o nosso cântico de amor,
sorvamos deste tempo o seu sabor
e veremos Estrelas a cair!!!

Fernanda Costa

Horta, 6 de Agosto de 2008

domingo, julho 27, 2008

OS TEUS OLHOS

Tinhas mar nos teus olhos de safira
E um sorriso de sombra enluarada!
Tua voz era música de lira...
Teus braços uma gruta encantada!...

É difícil travar do tempo a ira
Quando há ventos agrestes e geada...
Mas se há um coração qu'inda delira
Toda a força do tempo é dominada!

Cheguei à conclusão... E com vaidade
Que as vivências da nossa mocidade
Conseguiram de mim fazer "rainha".

Os teus olhos, agora, são canção
Dos tempos bem distantes que lá vão
Diluídos em vida que é só minha!

Horta, 27 de Julho de 2008

Fernanda Costa

sábado, julho 05, 2008

PLENITUDE!...

Por ti de corpo e alma desejada,
também eu aderi aos teus desejos!
Como uma incandescente madrugada
e pus todo o meu corpo aos teus beijos!

Eu recebi e dei extasiada,
vivendo a acreditar nos teus cortejos!
Era sempre uma noite costelada
ouvindo, embriagada os teus harpejos!

Chamei o Sol, a Luz e o Calor,
e todos responderam á chamada!
De mãos dadas, os cinco com sabor
aguardamos nascer a alvorada!

Ela surgiu vibrante de fulgor
rescaldo de Estrela apaixonada!
Era quadro pintado sem pintor
de cabeleira solta, desgrenada!...

Olhaste-me sereno e recolhido
como esbatida luz crepuscular!
Lá de longe, muito longe, escondido,
dos teus olhos brotava o azul do mar!...

Fernanda Costa,
Horta, 5 de Julho de 2008

quarta-feira, junho 25, 2008

DE MÃOS DADAS!...

Um sopro de desejo no olhar!
Um gesto emotivo e escaldante!
Um só eco longínquo a flutuar!
Um só sorriso terno e confiante!

Eis o que chega para m’ofertar,
Como corola aberta e palpitante!
Com o odor salgado do meu mar
E murmúrio do rio sussurante!

Já fomos alvorada radiosa
Com laços de ternura a derramar!
Já fomos madrugada luminosa
Com raios bem fulgentes de luar!

Já fomos uma fonte impetuosa
Com força p’ra poder dessedentar…
Já fomos cotovia maviosa
Com gorgeios perdidos de encantar!

É um sonho álacre ainda em flor!
Horizonte pleno de gargalhadas!
Caminharemos para a eternidade amor
Sorvendo o nosso tempo de mãos dadas!

Fernanda Costa
Horta, 25 de Junho de 2008

quinta-feira, junho 19, 2008

SEDUÇÃO

Pedaço pequenino de luar
com um doce sorriso a seduzir!
Encontrei-te sozinho, junto ao mar
e pediste silêncio p'ra te ouvir!

»Quero-te junto a mim neste lugar
que desejo contigo repartir!...
É tempo de vivermos a sonhar
Esquecendo que a vida vai fugir«

Afinal procuravas também luz...
Nos meus olhos, a brilhar
qualquer coisa que eu sei que traduz
que é melhor encontrar que procurar!...

E quando de Sereia me chamavas
nos teus loucos arroubos de desejos!...
Quantas vezes pensaste que afogavas
a tua sede louca nos meus beijos!

Como tu te enganas-te, meu Amigo!
do teu sonho e da tua realidade
eu nunca fui Sereia mas, abrigo!
que apagou os vestígios da verdade!...

Fernanda Costa
Lisboa, 19 de junho de 2008

segunda-feira, junho 09, 2008

AMAR DE MAIS É LOUCURA!...

Porém, amar e saber amar
para o amor não cansar...

Ama, exige ser amado
sem Excessos de paixão
porque um ser apaixonado
deixa de ver a razão.

E o amar, cegamente,
ainda que o não pareça,
tem levado muita gente
a portar-se infantilmente
e a perder a cabeça.

Num amor equilibrado
cada um dos dois assume
o controlo do seu lado,
sem escravizar, sem ciúme,
saber amar e ser amado
não há mais belo perfume.

Amar com sinceridade,
sem nada ter que inventar
dando o que se tem p'ra dar,
naturalmente, à vontade,
é amor, é lealdade
que nunca vai saturar
e jamais pode acabar.


Amar de mais é loucura,
amar de menos cinismo,
mas, amar com egoísmo,
é muito pior, satura!
Portanto se amares, procura,
amar com conta e medida
para não teres na vida
um amor que é uma tortura.

Fernanda Costa
Lisboa,09 de Junho de 2008

terça-feira, junho 03, 2008

CONVERSAS ÍNTIMAS!...

Numa noite longa e fria,
com um serão prolongado,
o meu coração dormia
desiludido e cansado.

Fiz barulho e acordou
da sua desilusão
e apenas me perguntou:
-"Por favor que horas são"?

Olhei para o relógio e disse:
Nem sequer é madrugada,
meia-noite que "Chatice",
Ainda, não dormi nada...

Sabem como respondeu
meu cansado coração:
-"Não dormes tu, mas durmo eu,
está morta a minha ilusão.

Não me acordes por favor,
quero dormir descansado,
tuas insónias de amor
são um assunto arrumado.

Não esperes por quem não vem,
porque isso só mal te faz,
pois tu já não és ninguém,
dorme lá, descansa em paz".

Fernanda Costa
Lisboa, 03 de Junho de 2008

segunda-feira, junho 02, 2008

DOIS LOUCOS JUNTOS!...

Um dia, que não sei quando será,
tua loucura e a minha se juntarão,
nenhum preconceito as parará
e lado a lado, fazer loucuras irão.

O mundo é nosso e o caminho é em frente,
não pararemos, nem que nos ergam barreiras,
dois loucos juntos amando-se intensamente,
não são detidos por obstáculos, nem fronteiras.

Façam favor, não se oponham á loucura,
deixem-na ir, qual vendaval, qual tufão,
á nossa força, força nehuma segura.

É amor louco, transformado em foguetão,
nada e ningúem nos privará de ventura,
de voar juntos, nas asas, da ilusão.

Fernanda Costa
Lisboa, 02 de Junho de 2008

sábado, maio 31, 2008

POEMA PARA O MEU AMOR

Ao meu amor quero fazer um poema,
Obra sublime, que ninguém possa imitar,
que tenha o doce perfume de alfazema
e que a cor seja o azul de Céu e Mar.

Que a rima seja a mais certa que alguém
alguma vez, já conseguiu escrever,
que a pureza da linguagem, vá além,
do exigido pelos Mestres do Saber.

Que aos poetas possa servir de compêndio,
para estudarem como se faz poesia,
que tenha o lume e o calor dum grande incêndio
e a frescura duma gota de marzia.

Mostrar a força do meu amor infinito,
através de simples palavras minhas,
tudo o que neste poema não for escrito,
Quem souber ler, o lerá nas entrelinhas.

Fernanda,
Lisboa, 31 de Maio de 2008

sábado, maio 24, 2008

AS PARTÍCULAS DE AMOR!...

Curvei-me e levantei os seixos, do leito seco do rio,
que me olhavam com calor mas, estremeciam de frio.

Atirei-os para o longe, para o coração da folhagem,
que engrandecia a areia e coloria a paisagem.

Mas as folhas já pendentes,de uma árvore secular,
acolheram, no seu seio, os seixos que vinham no ar.

Debruçaram-se sobre o leito e deitaram sobre a areia,
os seixos do rio seco, como seios de sereia.

Vendo tão nobre carinho por parte da natureza,
ergui-os nas mãos de mansinho, torneei-os de pureza.

Embalei os seixos tristes e numa caixinha os guardei,
como pedras preciosas, da coroa de algum rei...

Pressenti um núcleo de ouro, tentando deles brotar,
fiz, das partículas de amor, um longo e belo colar.

Senti seu frio queimar, ao toque, meu jovem peito,
com carinho, gratidão e veemente respeito.

Os seixos secos do rio, já não são frios de amor,
são seios de casta sereia, na mente de um sonhador!...

Fernanda,
Lisboa, 24 de maio de 2008

sábado, maio 17, 2008

A DOÇURA DAS CARÍCIAS!...

Sei que um dia virás,
Contigo trazendo as ilusões renascidas,
As matizes suaves das madrugadas,
A quietude do silêncio da noite cálida,
O azul diáfano do voltejar dos pássaros,
O imponderável do que já foi mas não é,
A magia de voltar a ser,
A alegria infinda de poder viver!

Esperar-te-ei, olhando sobre a colina,
Com a carícia envolvente do desejo
E o fogo ardente dos meus olhos,
O tempo não rolará.

E seremos felizes para além dele,
Num abrigo de sombras vagas
Que acolherá os nossos gemidos sentidos
E as nossas emoções delirantes!

Depois, ofertar-me-ei plena de ternura
Para poderes colher com a leveza dos deuses
A doçura das carícias
E os odores da volúpia da noite!

Nascemos com o sol pela manhã,
Nossos sentimentos abençoados,
Sublimes, puros, iluminados!...

Fernanda,
Lisboa,17 de Maio de 2008

sábado, maio 10, 2008

MÚSICA

Música, melodia d'um estado de alma,
ouvida no dorso da mãe natureza,
ao sentir seu suspiro e sua beleza;
É deleite divinal, no âmago da calma!

Inspirada pelas ninfas, dançando na ria,
ela brota dos espíritos mais sagazes;
Dourando a rotina de vidas fugazes,
ao entrelaçar fios dourados de poesia!

A brisa sopra leve, levemente,
a folhagem estremece de prazer,
acanhando desejos de paixão ardente,
com sua carícia de suave envolver!

Como raposa, a lua assalta a janela,
roubando-me a ingenuidade do pensar,
transformando-me num barco à vela,
Que percorre marés-altas, a dormitar!

No vestido de chita da noviça manhã
eu só quero é avançar, impelir-me
para esse sabor molhado de romã,
para o trecho eloquente a seduzir-me!

Música,
musa inspiradora;
Mensagem de paz,
de amor e de esperança;
Deusa reveladora
dos turbilhões vivenciais;
Nota de nostalgia;
Dama do tempo
que invade os corações
e os faz vibrar
ao som do seu ritmo
e da sua comunicação!..

Fernanda,
Lisboa,10 de Maio de 2008