quarta-feira, julho 04, 2007

PRAIA DE S: EULÁLIA

Às vezes é no meio do silêncio que descubro
o amor no teu olhar, é uma pedra é um grito
que nasce em qualquer lugar.
Assim como renasceu, nosso amor ao lado
do mar.


Fernanda
Posted by Picasa

PINTURA

Sol é amor, é calor, é rir, é alegria, é virtude, é cantar da juventude.
Se todo o jovem é sol, é o abrir
da alegria, tu és a luz do amor,
que nasceu naquele dia.

Fernanda
Posted by Picasa

SONHEI

Sonhei na magia d'uma noite,
com um mundo bem diferente,
onde havia harmonia, harmonia, luz e cor,
ao ritmo duma melodia envolvente,
que falava d'alegria, paz e amor.

vamos içar nossas vidas
nesse oceano sem fim,
curar as velhas feridas,
dar um abraço, enfim!

Pais e filhos neste mundo,
tinham a porta sempre aberta,
um enorme coração...
e ouvido sempre alerta.
unidos por um laço d'amor profundo,
diziam o que lhes ia na alma,
sem máscaras, nem sofreguidão,
com todo o respeito e calma.

Quando a tempestade pairava em seu seio,
depressa vinha a brisa dialogante,
que fazia desvanecer todo o receio,
fazendo renascer o belo, o edificante!...

De tanto palpitar meu coração
acordou-me de repente!
então, chorei, choreia desilusão
de um mundo tão indiferente!

Fernanda

SONHO PLANTADO

Plantado em mim,
o sonho que vivi;
a caravela da saudade,
na maresia;
a lágrima saída de uma balada,
a lembrança da cabana abandunada;
aquela alegria,
que agora é nostalgia;
a terra prometida,
que espera por ti.

nada sou, nada tenho, nada posso,
sem esse amor, de amor nosso,
que o mundo quis cortar ceifando-me de ti!

Amo-te, amo-te, perfume de realidade;
Amo-te, amo-te, fantasia sonhada;
Eu, que na tua alma sou ouvida;
Eu, que na maravilha do teu ser sou amada;
Eu, que lanço sobre ti o amor da verdade!

Força, enigma, com uma forma qualquer,
jovem, madura ou envelhecida...
não importa, não interessa...
nesse amor sem idade, nem pressa,
no rio de mel, na ilha esquecida,
com o homem inventado por uma mulher.

Fernanda

NÃO É LÁGRIMA É ORVALHO

Não é lágrima o que vez
pelo meu rosto a rolar...
É que passei outra vez
toda a noitinha ao luar.

A noite estava tão linda,
mas sabes que a noite vinda
começa logo a orvalhar.

Não é lágrima o que vês
pelo meu rosto a rolar...
Será, isso sim, talvez,
apenas,um triste pensar.

Porque a noite com orvalho
é que é a noite a chorar...
Eu bem lhe falo, bem ralho,
mas ela adora o luar.

Não é lágrima o que vês
pelo meu rosto a rolar...

Fernanda

IMPOSSÍVEL AMOR

Antes meus olhos
nunca tivessem visto...

Antes meus sentidos
tivessem abandonado
este meu louco querer.

Antes tudo...
que o nada nunca.
Jamais poder eu ter
o teu sorriso, o teu querer.

Antes náufrago
a lutar para sobreviver,
que ter a certeza de morrer
sem jamais poder eu ter
o teu querer.

Fernanda

VOAR ALTO

Há quem diga que um pássaro
sem asas não pode voar.
O homem voa sem asas
desde que se deite a sonhar.

Já voei altas montanhas;
combati contra dragões,
já sofri da dor das manhãs,
aqui na terra d'aldabrões.

Também encontrei amor
fora dos corações.
Suavizei minha dor
dizendo minhas orações.

Vivi crente nas promessas
porque acredito sempre em alguém,
mas promessas são promessas
e eu as faço também.

Para mim qualquer poeta
é sempre de bem falar;
sente forte, pela certa;
mas nem todos pode agradar.

Fernanda

Qual a cor

Negra é a noite
branca é a nuvem
azul é o céu
verde é a folha
castanha é a árvore
amarelo é o sol
sem cor o perdão
mas, qual é a cor da solidão?

Cinzento é a pedra
vermelha a fogueira
cinzentas as cinzas
da cor do cimento
mas, qual é a cor do meu nascimento?

Lilás é cor de flor
e a rosa que é rosa
mas, qual é a cor do amor?

Da morte não falo
pois, é incolor
mas da lágrima queria
saber qual a cor.

Fernanda

SILÊNCIO

Palavra escrita
numa toalha de papel
na mesa de um restaurante.

Silêncio em que medito
de noite a pensar em ti.

Silêncio nas palavras que ouço,
palavras sem pensamento,
ditas para o momento.

Silêncio no belo que invento.

Silêncio, entre Deus e eu,
por serem inúteis as palavras
para o entendimento.

Silêncio entre a multidão
amontoada à minha volta.

O amor, a ternura, o bem-querer
são gestos de silêncio.

E porque tudoé silêncio
na harmonia,
é no silêncio que te quero amar.

Fernanda

sábado, abril 14, 2007

DO MAR


Eu estava lá e vi,
vi o mar escorrer para longe.
Eu estava lá com a minha cadeira
de um só pé, equilibrada nas rochas
e sou testemunha…
o mar tanto encurtou que quase
se resumiu à linha do horizonte.
Vi nos contornos da areia a vergasta do mar
e vi vergões vermelhos de algas
doendo aqui e além.
A chorar as pontas arqueadas das estrelas.
Senti na pele os agudos picos
dos ouriços cravados na praia
e ardeu-me os olhos
a nata cor-de-rosa das poças ao sol.
Pensei: é o sussurro dos
lábios da areia sorvendo a espuma do mar.
Censurei a areia…maltratada e
em beijo aspirando o cuspo do mar.
Descaindo os olhos vi no miolo coral do mexilhão
olhei a anémona boiando tonta na água
quente da rocha.
Então pensei: a carapaça do caranguejo
está ressequida e a pouco e
pouco o braseiro esvai as grutas: chamei
o mar e ele veio.
Não veio logo assim de repente beber-me
a mão.
Mas veio…passo a passo…avança…avança
como cauto amante de chapéu alto e
cravo na lapela.
Um manto azul cobriu-me os olhos de cristal
cantou-me na língua a frescura de
peça desdobrada …oh… a minha cadeira
foi barco …o mar navegou-me
as veias… e sem remos cortei o céu
redondo sob o sol.
Por isso não tive palavras
enxutas…a maré traçou-me
na garganta o discreto ofegar das
guelras dos peixes.
O mar ganhou-me…
e aqui estou falando a verdade
de água na boca e a castidade
dos búzios nas pálpebras.

Fernanda
Vazio de alma


Quando na alma se sente um vazio de cortar a voz,
Que posso eu fazer ?
Como poderei numa noite escura, estar contigo,
E não pensar na escuridão?
Da mesma maneira que te olho e não vejo,
O mesmo brilho nos teus olhos?
Aquele que eu via quando te encontrava,
Perdido de saudades,
Como aceitar o que se perdeu ?
Talvez por descuido ou aborrecimento.
Mas não é medo aquilo que me invade,
Mas uma certeza quase morta.
Se ao menos houvesse uma pequena esperança,
Eu olharia as estrelas e a lua na noite fria,
E logo acharia encanto em vez de escuridão.


Fernanda
Devaneios



Vagueia em mim uma tempestade incessante, risos, choros,
Sim e não. Sou e não sou ao mesmo tempo.
Vou e volto pela mesma estrada conhecida.
Encontro-me quando de mim fujo. A consciência apaga.
A inconsciência acende.
Silêncio
O silêncio de anos invoca a força da voz e brado.
Brado em vão. Não importa, não serei omissa:
Olho o teclado e disparo a artilharia.
Estou certa de que algum vento desviará os meus gritos
Para onde quero… para lá… longe, onde nem possa chegar.
O que se faz quando o coração se agita,
As mãos esfriam, a saudade aperta e o mundo cresce?
Maldito …faço do meu quarto um oráculo
Contemplativo, gosto de reservar-me no recolhimento das clausuras.
Estanco a corda do relógio, e desconheço o mês,
O dia, as horas. Basta-me o pensamento até ele voltar.
Devaneios… sobram-me devaneios nesta noite
Que se arrasta, mas é tarde e estou com sono.
Sonharei contigo.

Fernanda
As rosas do meu jardim.
Posted by Picasa
Doce mar-minha paixão
Posted by Picasa
Vem

e aquieta no meu peito
tanta agitação
repousa em mim os teus
tormentos
saudades, desalentos
que em ti derramarei
compreensão.
Depois verás amor
se a comunhão do espírito
é ou não
no mar da vida
tábua de salvação.
Descansa pois querido,
longe ou perto
estou sempre contigo.
Nunca as milhas nos afastarão
nem mar
ou outros continentes
outras terras, outras gentes
nos impedirão de amar
ou na lealdade
ser descrentes

Fernanda
Pôr do sol-Faial-Açores
Posted by Picasa

domingo, março 25, 2007

Marina da Horta
Posted by Picasa
Miradouro da Espalamaca


Foi no miradouro da Espalamaca, promontório protector da baía, onde admirei a beleza dos moinhos de vento bem conservados, vestígios da importância
que gozavam no quotidiano dos tempos em que me criei; dali contemplei apaixonadamente mar e céu confundidos numa simbiose de cor e paz, com o Pico em toda a sua majestade a completar a beleza paisagística dumas das vistas mais fotografadas de todo o arquipélago dos Açores.
A Horta espraiava-se enternecida aos pés do majestoso monumento da
Imaculada Conceição, assente num supedâneo de basalto e ladeada por uma cruz
De cimento, que se eleva a grande altura. Vista do alto da Espalamaca, destaca-se a
Marina repleta de iates vindos de toda a parte do mundo e a cidade, que se ajeita
á volta da baía, elevando-se num anfiteatro colorido como que a exibir-se perante o
Pico, seu eterno namorado.
E aquele mar…sempre aquele mar, a unir e a separar as duas ilhas, numa quimera interminável. Do lado oposto de cidade, o Monte Queimado e o Monte da Guia, completam o abraço que enlança a cidade protegendo-a das investidas dos vendavais,
que no Inverno assolam as ilhas. Do outro lado da Espalamaca espraia-se a Praia do
Almoxarife, presépio de casario colorido, que a dois passos da cosmo politica Horta
Oferece, num ambiente rural o lazer da praia onde se respira a brisa campestre, salpicada de elixir refrescante do mar, numa mistura saudável e regeneradora.

Fernanda
Cidade da Horta-Vista da Espalamaca
Posted by Picasa
Retorno

Retorno ao ponto de origem, visito os caminhos por onde pisei,
Recordo a menina travessa, a querer ultrapassar os limites e a deixar que a vida
Tome o seu corpo e alma. A memória guarda os pedaços da minha história e em cada recanto, encontro-me.
Os olhos vagueiam e sentem a natureza gritando a sua força. Recordo
As minhas idades, 9, 10, 11 anos, caminho sem pressa, afasto as pedras, como flores, falo com elas…são faladoras: contam-me as suas cores, do cheiro, da beleza e dos seus amores.
A memória lembra e não quero seu fenecimento. O rosto de hoje mudou,
Sou outra e sou a mesma.
O sol a declinar e a menina ali a observar o crepúsculo a se esvair aos poucos, despedindo-se sem traumas, num adeus sereno, sem deixar lágrimas, na doce previsão do seu retornar.
A menina e eu na mais incondicional cumplicidade.


Fernanda