terça-feira, fevereiro 19, 2008

Ai se Eu um Dia Voltasse!...

Um velhote, já cansado,
ao ver um casal novito,
pôs-se a olhar descarado
e a piscar o seu "olhito".

O casal de namorados
ao velhote não ligou,
continuaram abraçados
e um ao outro beijou.

Ao ver trocar mais um beijo,
o homem, desorientado,
sentiu um louco desejo
de ser ele o namorado.

Olhando com insistência
o ancião sai-se com esta:
-"Minha filha tem paciência,
mas esse moço não presta"!

O rapaz ficou a olhar
e respondeu-lhe com graça:
-"Não se esteja a entusiasmar,
vá passear que isso passa"!...

...Fez que o homem recordasse
a longiqua mocidade,
diz-lhe então:-"Ai se eu voltasse,
a ter essa idade"!...

Fernanda

sábado, fevereiro 16, 2008

BELAS LEMBRANÇAS

Mantenho entre as mais belas lembranças,
Pelos campos, nossos passeios, de mãos dadas,
perdidos em horizontes de esperanças,
voando em fantasias aladas.

Os fáceis caminhos percorridos,
na planura da nossa imaginação,
tinham tapetes de pétalas estendidos
para passar a nossa doce ilusão.

Estes percursos, fruto da nossa utopia,
ao Paraiso nos teriam que levar,
para nós, a vida era amor e alegria,
mal e tritezas nela não tinham lugar.

O nosso Mundo era reino de venturas,
lá não cabiam nem malfeitores nem feras,
no Céu não pairavam nuvéns escuras,
as estações eram todas Primaveras.

Não havia fronteiras pr'o nosso amor,
ele ocupava todos os tempos e espaços,
ao abraçar-te tinha tal força e vigor
que eras o Mundo, apertado nos meus braços.

Anos, benditos, os que estou a recordar,
aqueles beijos que a boca nos queimavam,
noites de amor e loucuras sem parar,
só mais um beijo e novamente começavam.

Confesso, agora, que estão no fim nossas vidas;
Que dia-a-dia, são mais tristes e duras;
Que não lamento as loucuras cometidas;
Que gostaria de cometer mais loucuras.

Fernanda

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

SOL-POENTE

Já faz tempo que falo a sós comigo
com os astros, a lua e o luar!
Sinto-me só, princesa sem abrigo,
com um louco desejo de amar!

Quero ter um amor e um amigo
junto a mim com ternura a derramar!
Que me recorde um tempo já antigo
P'ra nas ondas suaves mergulhar...

Não sei se é sonho vão, se uma miragem,
voltar de novo a ser uma paisagem
e ninho acolhedor ao fim dum dia!...

Eu não quero ser triste sem o ser.
Quero encontrar alguém para viver
quero ser sol-poente de magia!

Fernanda

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

ROSAS VERMELHAS

Tenho por rosas vermelhas
uma longa e terna paixão,
fazem-me lembrar centelhas,
em noites de escuridão.

São bonitas, espampanantes,
chamativas, perfumadas,
lembrando belas amantes
p'ra noites de amor esperadas.

Quando as vejo em profusão
sobre os muros assomadas
sinto no meu coração
acelerar as pancadas.

Meus olhos prendem-se a elas
e elas lindas sensuais
tornam-se ainda mais belas,
para nos prenderem mais.

Fernanda

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A BELA POESIA

Com pingos de inspiração e talento,
escreve o poeta seus poemas dia-a-dia,
nos dias Não escreve á dor, ao desalento
nos dias Sim canta à esperança e a alegria.

Pobre poeta, como eu entendo e lamento
os dias em que é triste, tua bela, poesia,
que a tua fé não resiste ao sofrimento,
por vezes o mundo coberto de hipocrisia.

Porém, poeta, nunca deixes de escrever:
os teus poemas de denúncia p'ra dizer
que queres o homem mais humano e fraterno,

que da força emanada dos teus versos,
nascerá arma para apontar aos perversos
e verás Céu, onde agora vês Inferno.

Fernanda

Este Soneto é dedicado a minha amiga Lídia,
do blogue: SILÊNCIO CULPADO.

sábado, fevereiro 09, 2008

O SOL COM A TERRA FAZ AMOR

Um dia, olhei para o Céu,
vi nele um espesso véu,
uma trovoada iminente:
Raios, coriscos, centelhas
abrem crateras, vermelhas,
em corrupio permanente.

Um raio de Sol espreita
Por uma abertura estreita.
Entre nuvens carregadas,
pequenas gotas de chuva,
Quais lágrimas de viúva,
São por ele violadas.

Passados breves instantes,
do acto entre os dois amantes,
um fenómeno acontece:
Um arco-iris, infinito,
torna o céu mais bonito,
O sol brilha, a terra aquece.

Belo arco-iris, colorido,
por nuvem negra parido,
que um raio de sol fecundou,
gera festival de cores,
filho de estranhos amores
que a tempestade juntou.

O Sol fonte de energia,
tudo mata, tudo cria,
seja em que lugar for,
é Deus da fertilidade,
luz divina, claridade,
com a terra faz amor.

Lisboa, 09/02/2008
Fernanda

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

VI PASSAR A ALEGRIA

Vi passar a Alegria,
muito pertinho de mim,
sorriu-me, disse bom dia
e numa louca correria,
lá seguiu para o seu fim.

Pus-me a correr atrás dela,
logo lhe perdi a pista,
bonita, ágil e bela,
fez tal qual a Cinderela
sumiu-se da minha vista.

Por ruas jardins e praças
pergunto a linda Alegria
mas só encontro desgraças,
mascaradas com caraças,
que me olham com ousadia.

A tais olhares, estremeço
mas finjo não estar a vê-los
porém, depois não os esqueço,
nem mesmo quando adormeço
eu, consigo esquece-los!

E não sei que hei-de fazer
para a Alegria encontrar,
se continuar a correr
ou se parar para ver
se ela um dia quer voltar.

Fernanda

quarta-feira, janeiro 30, 2008

AMOR DE VERÃO

Aquele amor tão bonito
que na praia ficou escrito
com os meus dedos dos pés,
era um amor sem futuro
tão frágil e inseguro,
foi nas primeiras marés.

Veio uma onda apagou-o,
veio outra onda e levou-o
bem para dentro do mar,
aquele amor de Verão
foi uma ténue paixão
que a água soube levar.

Em noites de lua cheia,
grandes castelos de areia
em conjunto construímos,
porém, com o fim do Verão
devaneceu-se a ilusão,
rumos opostos seguimos.

Um p'ro Norte, outro p'ro Sul,
esquecemos o mar, azul,
dissemos adeus às Férias,
voltamos a trabalhar
e quem sabe se a arranjar
outras paixões, bem, mais sérias.

Fernanda

quinta-feira, janeiro 24, 2008

NOITE DE AMOR

Numa noite de luar,
vi uma Musa saltar
para o convés dum cacilheiro.
Quis ver o que se passava
e vi que a Musa beijava
com ardor um marinheiro.

Ouvi gemer e dar ais,
o barco atracado ao cais,
vi balouçar de mansinho,
como se o Tejo quisesse
que a Musa ao marujo desse
mais amor e mais carinho.

O Cristo-Rei, redentor,
vendo amar com tal fervor
não se opõe e abençõa,
mantem no rio o marulho
e para não haver barulho,
impõe silêncio em Lisboa.

Milhões de estrelas, candentes,
deixam seus traços ardentes
e riscam o céu como fogo,
enquanto o par amoroso,
sobre as águas em repouso,
faz do amor o seu jogo.

Assim, estes dois amantes,
unidos e confiantes
lábios nos lábios colados,
fazem amor em segredo
mas não sentem qualquer medo
sabem que estão bem guardados.

Finalmente, rompe a aurora
e a Musa vai-se embora,
mas ninguém sabe p'ra onde,
o marinheiro lá anda
de uma para outra banda
pensando onde ela se esconde.

Fernanda

sábado, janeiro 19, 2008

SABER AMAR E SER AMADO!

Porém, amar e saber amar
para o amor não cansar...

Ama, exige ser amado
sem Excessos de paixão
porque um ser apaixonado
deixa de ver a razão.

E o amar, cegamente,
ainda que o não pareça,
tem levado muita gente
a portar-se infantilmente
e a perder a cabeça.

Num amor equilibrado
cada um dos dois assume
o controlo do seu lado,
sem escravizar, sem ciúme,
saber amar e ser amado
não há mais belo perfume.

Amar com sinceridade,
sem nada ter que inventar
dando o que se tem p'ra dar,
naturalmente, à vontade,
é amor, é lealdade
que nunca vai saturar
e jamais pode acabar.

Amar de mais é loucura,
amar de menos cinismo,
mas, amar com egoísmo,
é muito pior, satura!
portanto se amares, procura,
amar com conta e medida
para não teres na vida
um amor que é uma tortura.

Fernanda

segunda-feira, janeiro 14, 2008

ÁGUAS FRESCAS DO MEU RIO

Águas frescas do meu rio,
aonde me vim banhar,
desculpem meu desvario,
já bato o dente com frio,
mas continuo a suar.

Não se cura este calor,
banhando-se em água fria,
só com mil beijos de amor
dados com força e vigor
minha febre se alivia.

Por isso águas geladas,
do meu rio de frescura,
não se sintam defraudadas
porque não são os culpadas
do calor que me tortura.

Venham abraços e beijos
que me refresquem a mente,
que me matem os desejos
e que apagem os lampejos
deste meu amor ardente.

Fernanda

quinta-feira, janeiro 10, 2008

NORMAS PARA SER FELIZ

Gosto da vida, vivo-a com intensidade,
não temo a morte, mas quero a vida preservar,
não tenho pressa de alcançar a eternidade,
se ela é eterna, pode por mim esperar.

Como é bonito aceitar a realidade
sem ambições para a vida não estragar,
aos interesses sobrepor a amizade,
sentir o mesmo prazer, ao receber e ao dar.

São estas as normas recomendadas
para que não nos cansemos de viver,
podendo aqui e além ser melhoradas

com coisas simples que reforcem o prazer,
todos sabemos que às vezes pequenos nadas
são suficientes p'ra momentos maus vencer.

Fernanda

sábado, dezembro 22, 2007

AO PÔR-DO-SOL

Ao pôr-do-sol,
no campo verde, perto do mar,
só eu e o barco...

Nada mais belo do que a paisagem colorida,
que alcança o meu parco olhar!
Atrás de mim um pinhal frondejante.
Ao longe uma casa esquecida
num terreno verdejante.

À minha frente o areal afagado pela onda
que chorou ainda há pouco,
ao bater na rocha rude, hedionda.

De rosto voltado para o sol, brilhando como louco,
levantei os olhos para o horizonte
e a onda caminhou paramim...

Ergueu a proa do barco, acariciou-me a fronte,
sorriu, esvaiu-se, regressando ao mar por fim.

O sol deixou no céu alaranjado
umas pinceladas de azul e branco,
que reflectiam a beleza de tanto mistério guardado...

A onda voltou tocando no flanco
do barco, que se quebrou.
minha alma cantou um poema branco,
e meu ser fascinado bailou!

Fernanda

sexta-feira, dezembro 14, 2007

RETORNO

Retorno ao ponte de origem, visito os
Caminhos por onde pisei,
Recordo a menina travessa, a querer
Ultrapassar os limites e a deixar
Que a vida tome o seu corpo e alma.
A memória guarda os pedaços
Da minha história e em cada recanto.

Encontro-me.
Os olhos vagueiam e sentem a natureza
Gritando a sua força.
Recordo as minhas idades, 9, 10, 11 anos,
Caminho sem pressa, afasto as pedras,
Como flores, falo com elas…

São faladoras: contam-me as suas cores,
Do cheiro, da beleza e dos seus amores.
A memória lembra e não quero o seu
Fenecimento.

O rosto de hoje mudou,
Sou outra e sou a mesma.
O sol a declinar e a menina ali a observar
O crepúsculo a se esvair
Aos poucos, despedindo-se sem
Traumas, num adeus sereno,
Sem deixar lágrimas, na doce previsão
Do seu retornar.
A menina e eu na mais incondicional cumplicidade.


Fernanda

sábado, novembro 24, 2007

POEMA PARA O DEUS SOL

Um dia, olhei para o Céu,,
vi nele um espesso véu,
uma trovoada iminente:
Raios, coriscos, centelhas
Abrem crateras, vermelhas,
em corrupio permanente.

Um raio de sol espreita
por uma abertura estreita.
Entre nuvens carregadas,
pequenas gotas de chuva,
quais lágrimas de viúva,
são por ele violadas.

Passados breves instantes,
do acto entre os dois amantes,
um fenómeno acontece:
Um arco-iris, infinito,
torna o céu mais bonito,
O sol brilha, a terra aquece.

Belo arco-iris, colorido,
por nuvem negra parido,
que um raio de sol fecundou,
gera festival de cores,
filho de estranhos amores
que a tempestade juntou.

O Sol fonte de energia,
tudo mata, tudo cria,
seja em que lugar for,
É Deus da fertilidade,
luz divina, claridade,
com a terra faz amor.

Fernanda

segunda-feira, novembro 12, 2007

A LIBERDADE

Nunca foi a liberdade
nas suas multiplas formas,
a força que tudo invade,
pois ela, em boa verdade,
tem preceitos e tem normas.

Não é força de poder;
Não é acto de heroísmo;
Não é impôr nosso querer;
É os outros compreender
com tolerância e civismo.

A liberdade assumida
é um gesto de coragem,
conduz-nos e é conduzida,
dá vigor e força á vida,
jamais, entra em derrapagem.

Nunca choca, nem colide
com segundas liderdades,
não impõe e não decide,
não coarcta, não agride,
respeita as outras vontades.

Estas normas e preceitos
cumpridos sem coacção,
são garantias, direitos,
obrigações, preconceitos,
que as liberdades nos dão.

Esta riqueza, infinita,
vamos defender
como algo em que se acredita
que o ser humano necessita
como de pão p'ra comer.

Fernanda

sexta-feira, novembro 09, 2007

A PROCLAMAÇÂO DA VIOLETA

Violeta, envergonhada,
Toda de roxo vestida,
entre montrastos perdida,
muitas vezes és pisada,
mesmo assim, ficas calada,
sem um ai ou um queixume
e se não fosse o teu perfume
nem serias detectada.

Não compreendo esse recato,
essa perpétua tristeza,
pois, tu sabes com certeza,
que gente de fino trato,
na lapela do seu fato
davam muito p'ra te usar
e os ares perfumar
p'ra prazer do teu olfacto.

Em lindos versos de amor,
és cantadas por poetas,
mantos de reis e profetas,
também são da tua cor,
portanto, esse teu temor,
não tem justificação,
já que em minha opinião,
tu és a mais bela flor.

Mostra-te sai do canteiro,
verás como toda a gente
fica feliz e contente
e dirá ao jardinheiro:
__" Linda flor e belo cheiro,
que cor rara e delicada,
faz lembrar uma boa fada
que protege um rei guerreiro "!

Os jardins convocarão
assembleias de mil flores,
muitos e bons, oradores
ás tribunas subirão,
dali te proclamarão
de todas as flores rainha
e até a grama daninha
te virá pedir perdão.

Alecrins e rosmaninhos,
urzes, tomilhos dos montes,
giestas e azevinhos
se acercarão dos caminhos
e ao mundo proclamarão
que dada a tua ascensão
não estão tristes nem sózinhos.

Fernanda

quarta-feira, outubro 24, 2007

DAS ESTRELAS É RAINHA

Estava no céu a brincar
uma linda estrelinha,
caiu de alegria ao saltar,
chegando à nossa casinha
mais depressa que o luar,
da Lua à Terra vizinha.

Ao sentir o seu brilhar,
tão intenso na noitinha,
corremos para a agarrar,
mas ela, de pé sozinha,
estendeu o seu olhar,
para a Paula, sua mãezinha.

Resolvemos acordar,
que na casa da Paulinha,
ficaria a guardar,
a nossa querida estrelinha,
até um dia casar
e ter a sua casinha.

Ela é de todos nós,
todos lhe damos amor
mas decerto também vós,
sentis sua alma em flor
e na sua forte voz,
seu coração em fulgor.

Das estrelas é rainha,
das flores nobre princesa,
amo muito a Francisquinha,
tem em si muita beleza,
a minha querida sobrinha,
simples como a Natureza.

Fernanda

terça-feira, outubro 09, 2007

SON DA MELODIA

Do nada surgiu a minha alma,
do nada proveio o meu sentir,
do nada nasceu a paz, a calma,
o amor que em mim sei existir!

Quando a tua vida te parecer vazia
e te sentires só, com teus olhos tristes,
luta por ti mesmo, sempre, dia a dia
e descobrirás que afinal existes!...

Repara! Medita! Para quê sofrer
por um passado vão de saudades más?
Vive a tua vida, deixa-a correr
e um novo rumo, tu descobrirás!...

Entendi a melodia que cantavas,
nada melhor poderia ouvir assim,
percebi nos sons agudos que chamavas,
chorei com os graves não ser por mim!

Embalei meu corpo ao som da melodia,
sonhou minha alma ao sentir as palavras,
subiu no meu peito uma calma ousadia,
carpiram meus olhos, pelo amor que lavras.

Desci das nuvens altas, quando emudeceste,
regressando ao ninho, qual ave celeste
sentindo a frieza do chegar da noite,
amanhã decerto terá outra veste!...

Calcorreio caminhos, procurando
nas bermas encontrar o teu amor,
corro ao ver no céu esvoaçando,
as penas que me causam tanta dor!

Fernanda

quinta-feira, outubro 04, 2007

SOBE VOANDO

Sei que choro por amor,
sei não o poder viver,
sinto esfriar o calor,
sinto meu ser a morrer.

A felecidade que trago
dentro do meu coração,
converte o frio em afago
e a dor numa canção.

Não sei como repartir,
nem como ao mundo mostrar,
a paz que tenho a dormir,
por te abraçar a sonhar.

Tudo que o meu ser sonha,
sobe voando no céu,
não temo a nuvem medonha,
parece-me um fino véu.

Será que a luz do luar,
me trará um dia a vida,
que eu deixei de lograr,
qundo me senti perdida ?


Fernanda