domingo, dezembro 07, 2008

À POETISA FLORBELA ESPANCA!...



O dia 8 de Dezembro é o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal a partir da data em que os reis portugueses deixaram de usar coroa para a oferecer à imagem da mãe de Jesus que está em Vila Viçosa, mesmo ao lado do Palácio Real.

E, curiosamente, Florbela Espanca nasceu a 8 de Dezembro de 1894, casou a 8 de Dezembro de 1913, suicidou-se a 8 de Dezembro de 1930, foi baptizada na Igreja de Nª Sª da Conceição, aos 8 anos adoptou o nome "da Conceição". e lecionou no Colégio de NªSª da Conceição, em Évora. O dia 8 de Dezembro era ainda o dia da Mãe, da mãe que Florbela não conheceu bem e que não foi a sua educadora «não me recordo nem da cor dos seus cabelos», e da mãe que Florbela nunca conseguiu ser...

Farta dos ingredientes da sua má sorte, cansada de ter nascido numa época que não era a sua, optou pelo suicídio consciente e premeditado:
«Há quem suba a descer. Há almas privilegiadas e únicas que nada têm a ver com a lógica absurda das leis humanas (... ) À gargalhada insultante deste mundo responde a infinita serenidade do que fica para além e que os olhos míopes não vêem (... ) O que lhes foi preciso de coragem desdenhosa, de altiva serenidade, de profundíssimo desprezo, às almas que partiram por querer!».

Na última noite da sua vida, escreveu o extraordinário Soneto "À Morte"

À MORTE

Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
e como raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
tua mão que nos guia passo a passo,
em ti, dentro de ti, no teu regaço
não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte dos dedos de veludo,
fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
má fada me encantou e aqui fiquei
à tua espera,... quebra-me o encanto!

Florbela Espanca


Rui Gudes, escreveu em Janeiro de 2000;

Ao cabo de muitos anos de estudo sobre a vida e a obra de Florbela Espanca, não consigo descrever a poetisa alentejana melhor do que ela própria o fez: (...) «Uma corajosa rapariga, sempre sincera consigo mesma. (...) Honesta sem preconceitos, amorosa sem luxúria, casta sem formalidades, recta sem princípios, e sempre viva, a palpitar de seiva quente como as flores selvagens da tua bárbara charneca!»



Florbela Espanca, sempre me influênciou, quando ainda adolescente e comecei a escrever... Este

Soneto, escrevi-o á momentos !... Aqui deixo o meu contributo á sua memória!..

FLORBELA!...

Olhos pretos, risonhos, tansparentes
pequenina serena e donairosa
sorriso meigo de sonhos dormentes,
Mar agitado, mas sempre amorosa.

Abrigo oculto de muita ternura
fortaleza d'alma, flor perfumada
dom d'iluminar uma noite escura
não te esquecerei, serás recordada.

Oh! flores silvestres, estrelas do céu!
Oh! mar profundo, deslumbrante e puro!
Recordai a Florbela no seu mausuléu!

Não se despediu. Já galgou o muro.
Destino cruel, traiçoeiro e duro
Ficou a saudade envolta em véu!

Fernanda Costa

(inédito) 7-12-2008 - 1,30 da madrugada
Costa da Caparica

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sábado, novembro 29, 2008

NO ALTO DA MONTANHA !...


Fotos da Ilha de S. Miguel - Açores - Portugal


No alto da montanha, que beleza !
São cascatas que gemem de prazer !
São árvores que incorporam natureza
com nós entrelaçados a sonhar e a estremecer !

As sombras deslumbrantes de incerteza
São grutas que convidam a amar e viver !
Estremece levemente a lua acesa
sugerindo contornos de homem e de mulher !...

E nós dois, abarcando este espaço
e embalando nossos corpos num abraço
sentimos a velúpia e uma sede estranha !...

Gritamos bem baixinho, com ternura
Sorvemos em nossos beijos a delícia e a frescura
do amor e da água palpitante da montanha !...

Soneto & Fotos:

Fernanda Costa

Lisboa, 29 de Novembro de 2008
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domingo, novembro 23, 2008

COROAÇÃO !...


Fotos: 1ª.- Ilha do Faial - 2ª.- Ilha do Pico - Ambas as fotos foram tiradas de uma Ilha, vendo-se a outra,
Açores - Portugal


Coroa os meus cabelos de giesta
que eu quero ser rainha na colina !
Cantemos o Amor, com alma em festa
como uma flor de sonho, alva e divina !

Vamos sentir que algo ainda resta...
Um já longe perfume a bonina
a fazer-me lembrar que ainda sou esta
com meu sabor passado de menina !...

Coroa-os também de urzes rosas
e murmura palavras misteriosas
em ritmo de corrente triunfante !

Improvisa p'ra mim um trono alado,
onde eu possa voar contigo ao lado
e viver um reinado cintilante !...

Soneto & Fotos:

Fernanda Costa

Lisboa, 23 de Novembro de 2008
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quarta-feira, novembro 19, 2008

FOSTE TU !...


Fotos da Ilha Terceira - Açores - Portugal


Foste tu que me amaste no passado
e do qual, sem querer, tenho saudades !...
Foste tu que pensei que tinha amado
e quem sabe se não foi realidade !

Foste tu o meu sonho perfumado,
um sonho de magia e de verdade !
Foste tu meu caminho matizado
de pétalas vermelhas de ansiedade !!!

Esbatida foi nossa maré alta,
recordemos as luzes da Ribalta
p'ra sentirmos calor junto do mar !

E se o sol não brilhar como cristal,
Oxalá nosso olhar seja vitral
p'ra voltarmos de novo a sonhar !...

Soneto & Fotos;

Fernanda Costa

Lisboa, 19 deNovembro de 2008

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terça-feira, novembro 18, 2008


Vamos Festejar Florbela Espanca!
Dia 8 de Dezembro comemora-se mais um ano sobre o nascimento de Florbela Espanca, uma dos grandes poetas da Língua Portuguesa.
A iniciativa partiu do blogue Interlúdio em flor e espero que todos possamos contribuir para que a homenagem esteja à altura da homenageada.
Blogue Interlúdio

domingo, novembro 16, 2008

EMOÇÃO !...


Fotos das Ilhas de S. Miguel e Faial - Açores - Portugal


Meu amor, devagar, devagarinho !
Já é noite e não quero tropeçar !
Dá-me a luz dos teus olhos de mansinho,
Não me ofusques demais p'ra não parar.

Quero sentir calor no teu carinho,
P'ra me sentir de novo arrebatar !
Quero sorver o odor do rosmaninho
P'ra amar os astros e o teu olhar !

E, então, vida nova viverei !
Uma vida que sempre desejei
Como sol a romper a madrugada !

Iluminada pela comoção
E sem espaço para a solidão,
Serei ave liberta, mas amada !

Fernanda Costa

Lisboa, 16 de Novembro de 2008
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domingo, novembro 09, 2008

DESEJO !...


1ª.-Foto-Ilha do Pico
2ª-Foto-Ilha do Faial
Açores-Portugal


Eu sinto que ando em louca correria !
Não sei para que lado vou parar...
Mas espero o nascer de um novo dia
P'ra poder encontrar o teu olhar !

Eu sou luz apagada que alumina,
Astro-Rei que se anda a disfarçar...
Uma alma sequiosa de ambrosia
de segredos ocultos p'ra contar !

Vir a ser tua... Oh ! Que mago encanto !
Como te adoraria, tanto, tanto...
Com pecados de amor e emoção !

E, depois, junto ao mar, com sol doirado
Sentindo o coração menos chagado
Pulsar dentro de ti como um vulcão !...

Fernanda Costa

Lisboa, 9 de Novembro de 2008
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terça-feira, novembro 04, 2008

EXALTAÇÃO !...


Fotos da Ilha Terceira-Açores

O tempo vai rolando como esfera
deixando bem marcada a solidão !...
O sol, não sendo mais que uma quimera
Não chega p'ra aquecer o coração !

São jovens que saltitam à espera...
Vivendo com a vida em ilusão !
São velhos que recordam outra era
saudosos de desejo e de paixão !

Com dias de Outono inda a brilhar
com forças continuo a recordar
lá longe, muito longe, os teus segredos...

Apesar de perdidos nos espaços,
em sonhos os embalo nos meus braços
e tento agarrá-los nos meus dedos !...

Fernanda Costa

Lisboa, 4 de Novembro de 2008
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quarta-feira, outubro 29, 2008

RENASCER !...


Fotos da Ilha de S. Miguel-Açores

A seiva escaldante fecundou
e da terra brotaram os botões.
Sementes que o sereno dispersou
em luz de desvairadas convulsões.

Até mesmo o silêncio já cantou
em sentidos acordes de emoções,
como todo aquele que amou
e soube engravidar os corações !

A brisa, sol doirado e tudo enfim !
Com ventos perfumados de jasmim,
são grutas a esconderem os desejos !

Renasce a vida, amor, em extremos tais
Com frutos saborosos e trigais
que despertam a fome dos teus beijos !

Soneto & Fotos;

Fernanda Costa

Lisboa, 29 de Outubro de 2008

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quinta-feira, outubro 23, 2008

SEGREDOS !...


Como era sedutora aquela estrela
que para mim sorria lá no céu !
Pedia que chegasse junto a ela,
pois sabia um segredo que era meu.

Fiquei extasiada. Era tão bela !
E, porque a escolhida era eu,
insiste no sorriso e apela:
«Dorme o sol ! Aproveita. O espaço é teu !»

Empreendi veloz a caminhada.
Juntei-me a ela deslumbrada.
Bebi a sua luz e os seus segredos !

Silenciosa e frágil de ternura
recordou-me um momento de ventura
com gaivotas amando nos rochedos !

Soneto & Fotos;

Fernanda Costa

Lisboa, 23 de Outubro de 2008
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domingo, outubro 19, 2008

BEM DISTANTE !...


Junto ao mar, perguntei-lhe se te vira,
após te procurar, mas sempre em vão !
«Não o vi», respondeu, «nem admira,
pois sempre que aqui passa é um tufão !»

«Se o vires, oxalá Deus permita !
Dá-lhe saudades minhas de emoção !
E diz-lhe que a minh'alma é que suspira
pois já perdi há muito o coração !»

O mar olhou-me um pouco altivamente,
mas sorriu como o sol no seu nascente,
continuando, incessante, a marulhar !

Então estremeci por um instante.
Tu estavas comigo, bem distante...
Eu sempre pressurosa em te encontrar !

Soneto & Fotos:

Fernanda Costa

Lisbos, 19 de Outubro de 2008
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domingo, outubro 12, 2008

INTEMPORALIDADE !...


Meu Amor, porque havemos de gritar
as loucuras da nossa mocidade ?
Ainda é cedo para recordar,
porque nem tu nem eu temos idade !

Como o sol no seu leve declinar
esperando o devir da eternidade,
quero ser uma estrela a iluminar
a tua caminhada de saudade !

Depressa, não te faças esperar !
desejo ardentemente ser amada
tenho um coração grande p'ra te dar !

Quero trepar colinas de desejo !
Quero sentir tua alma inebriada !
Quero sorver um longo e terno beijo !...

Soneto & Fotos,

Fernanda Costa

Lisboa, 12 de Outubro de 2008

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terça-feira, setembro 30, 2008

AMOR EM REVOLTA !...


Já não estávamos sós Amor tudo mudava
será que tudo mudava meu Amor
só porque o vento
em turbilhão se enrodilhava nessas velas

nesses moinhos em cujos braços se entregava
D. Quixote ajoalhado junto ao túmulo
da sua Dulcineia que dormia

e envergonhada Amor também sorria
do amor que D. Quixote lhe ofertava

e por que paravam então os moinhos meu Amor
se o vento tão forte em vendaval
dentro das asas que D. Quixote idealizava ?...

Entre comícios entre gritos de revolta
que as nossas mãos nas tuas mãos enlouqueciam
nessa aventura onde se desprendiam as amarras
onde os nossos cabelos em desalinho
se soltavam

seria meu Amor meu grande Amor
a nona sinfonia de Beethoven

que entre duas canções de amor
nos embalava ?...

Seria apenas Amor esse sabor
esse eterno sabor a desconhecido que nos adulava
nas pontas das baionetas que suspensas
transbordavam através dos jardins da imensidão
nos aromas de uma canção simples e pura ?...

Que por ser de intervensão Amor por ser tão simples
nos assombrava meu Amor e em desespero
nos sossegava meu Amor

nos sossegava !...

e meu Amor nós recriávamos as gaivotas
num imenso quadro de Gauguin ou de Van Gogh
porque as inventávamos na vermelhidão do nosso Amor
que impetuosamente à noitinha regressava

e ficávamos sós Amor
outra vez sós
entregues a uma desconhecida angústia que amanhecia
junto aos cravos que carinhosamente colocávamos
sobre as teclas de um piano que tocava

novamente para nós amor
só para nós !...

Soletrávamos Sarte nos intervalos do dilúvio
reinventávamos Camus meu Amor a horas mortas
quando no absurdo o misturávamos em sossego
entre dois copos de uísque bem gelado

com um concerto de Mozart que irrompia pela noite
na obscuridade do sofá onde fazíamos
amor até altas madrugadas

e ninguém nos via
quando Mozart se misturava com Camus

e Sarte ficava assim tão sorridente
contemplando a ingenuidade do nosso amor

a nossa ingenuidade amor !...
A nossa ingenuidade !..

Dormíamos a sono solto Amor
porque dormíamos
com Che Guevara à cabeceira iluminado
no altar das nossas próprias indecisões

abraçados meu Amor sempre abraçados
enviesados na sofreguidão com que vivíamos
as ressacas que nas vésperas eram sentidas
nos vergões que nos acalmavam as madrugadas

Éramos heróis por alguns dias Amor
só alguns dias
enquanto a chama se chamava liberdade

e esquecíamo-nos meu Amor tudo esquecíamos
quando já tarde já muito tarde nos entregávamos
aos acordes solitários dos violinos

que bem longe amor lá muito longe
quase em surdina meu Amor muito baixinho
voltavam a tocar tranquilamente

tão sereníssimos Amor !...
Tão devagar !...

e ao sabor das apetecidas coisas que inventávamos
íamos procurando amor nas nossas mãos vazias
uma a uma as flores que se queriam libertadas
e que aprisionadas nos sorriam Amor

como sorriam !...

Fernanda Costa

Lisboa, 30 de Setembro de 2008
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sábado, setembro 20, 2008

AMOR ADIADO


Entre sussuros entre ameaças de desgraça
ouviam-se ao longe as flautas os tambores
ocultando os violinos Amor que em sossego
choravam perdidamente de amor por serem breves.

Choravam por todos os amores prostituídos
que nos cabelos já desgrenhados se vendiam
junto às espingardas que em nossos corpos se enlaçavam

e ficavam sem amor porque sofriam
adiávamos tudo amor tudo adiávamos
nas baladas que misteriosamente nos percorriam

eram quebradas todas as margens que nos chamavam
entre blusões e calças jeans que se rasgavam
para nos amarmos em todos aqueles que ao partirem
se aconchegavam junto às lágrimas que doíam

germinando nas pálpebras amigas meu Amor
de todos os que embora inteiros
ainda viviam !...

e nós desesperávamos Amor porque sonhávamos
adiando todo esse amor que se perdia
num adágio de Tchaikovsky que soava
entre duas violas pachorrentas que m0rriam

que ainda morriam de amor
enquanto esperávamos

e enquanto esperávamos meu Amor
nós resistiamos !...

Era o amor meu Amor que se apagava
nos ventos solitários que longe lá muito longe
nos seduziam

era o amor meu Amor que se anunciava
num Maio de Sessenta e Oito que nos gritava
húmido de preces em todos os lençóis onde dormíamos

onde dormiamos Amor desesperados
e em desespero morríamos Amor

como morríamos !...

Chorávamos como Tristão chorava
por Isolda !...

Iamo-nos inspirando meu Amor devagarinho
num quadro de Picasso inacabado
em Guernica seguindo os passos do inferno
que os nossos corpos soluçantes atormentavam

desvendávamo-nos para além da solidão
e embriagados aos solavacos nos beijávamos
recordando ao serão Amor a nossa infância
bem juntinhos a uma valsa de Strauss

afectuosa infância meu Amor que escondiamos

nas algemas onde apressadamente envelhecíamos

e esboçávamos sempre mais um sorriso meu Amor
enigmático e ténue sorriso que lembrava
os dedos de Da Vinci desenhando
os lábios de uma Gioconda que sofria

e que sorria como nós Amor
como sorria !...

a Gioconda onde Da Vinci se eternizava.

Fernanda Costa

Lisboa, 2o de Setembro de 2008
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sábado, setembro 13, 2008

AMOR PROIBIDO


Pressentiam-se os violinos no silêncio
desse amor que já fora de Pedro e Inês.

Mas nós caminhávamos ausentes meu Amor
suspensos de uma certa flor que renascia
nos gestos adivinhados que nunca acontecendo
serenamente em segredo quase que aconteciam.

Até que dentro de nós por fim se iniciasse
essa imensa e estranha ode à alegria
que Beethoven junto a nós se esforçava
por trazer entre os dedos entre estes lábios
essa força de reunir todos os dias
num só dia Amor !... apenas num só dia !...

Mas nós Amor sozinhos estremecíamos
ficavamos presos às teclas de um piano que tocava
naquelas madrugadas já frias tão distantes
um místico nocturno de Chopin que de tão triste
entristecia aquelas manhãs da nossa ausência Amor.

Como era triste !...

Como era triste Amor a nossa ausência
quando Chopin se cobria de negro e resistia
nos nossos olhos já húmidos de cansaço
e sofria sozinho Amor.

Como sofria !...

E nós adormecíamos tão longe das nossas mãos
que Deus já distraído Amor se esquecia
de tudo o que em nós quase que acontecendo
nunca acontecia Amor !... nunca acontecia !...

Éramos Romeu e Julieta entre grinaldas
entre cambraias e cetins entre açucenas
suspirávamos de Amor como convinha
a tanto Amor a tanta ilusão comprometida.

E sempre sorrindo amor nós respirávamos
os sorrisos que inventávamos mansamente
junto às suavíssimas mãos que nos cercavam
aquela tão pequenina lágrima que partia.

Era o Amor que ausentando-se de nós Amor
nos magoava !...
Era o Amor que ausentando-se de nós Amor
tanto nos feria !...

E nós amor sentados ao piano nas madrugadas
com as minhas mãos nas tuas mãos nas nossas mãos
espreguiçávamo-nos em todas as inspirações que nos exaltavam
distribuíamo-nos em todos os sorrisos com que sorríamos.

E como sorríamos Amor !...
como sorríamos !...

Fernanda Costa

Lisboa, 13 de Setembro de 2008
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sexta-feira, setembro 05, 2008

AMOR RENASCIDO


Entre Galáxicas meu Amor vislumbramos
nesta sofreguidão do espaço entre certezas
caminhamos novamente meu Amor com as tuas mãos
nas nossas mãos entrelaçadas sobre o peito.

Que idade temos meu Amor ?... Qual a idade
que os velhos do Restelo nos dariam meu Amor
se nos vissem assim juntos apaixonados
celebrando uma sonata de Chopin à luz das velas ?...

Artisticamente incendiadas meu Amor
por um raio lazer que ainda brilha nestas taças
onde comemoramos estes cânticos que se abraçam
nestes sons de uma sinfonia no começo.

Abriram-se todos os círculos que nos rodeavam meu Amor
neste início reiventado junto do Mar
neste sonho remoído por silêncios
nesta velhice sábia de enganos e segredos.

Beijemo-nos então meu Amor deliciosamente
tão deleciosamente Amor!...
Tão devagar!...

Vem daí meu Amor vamos dançar
nesta nossa primeira viagem interplanetária!...

Se Renoir nos visse meu Amor se ele nos visse
talvez os seus pincéis se colorissem novamente
e nos pintassem meu Amor assim dançando
neste ambiente familiar que redescobrimos.

Ou reencontrámos meu Amor no esquecimento
que tinhamos ao partir ao deslocar
afinal meu Amor valeu a pena
vamos ouvir Beethoven de novo meu Amor.

Podemos agora envelhecer neste Milénio
com um ramo de flores no meu regaço para distribuir
por todos estes anos que perdemos longe do Mar
por todos estes anos que perdemos meu Amor.

Sempre a sonhar Amor!...
Sempre a sonhar!...

Fernanda Costa

Lisboa, 5 de Setembro de 2008
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sábado, agosto 30, 2008

AMOR COMPREMETIDO

Estamos aqui meu amor nesta planície
chorando junto ao mar este regresso
em alazões de asas douradas meu amor
em comprometedoras manhãs de nevoeiro.

Estamos aqui meu amor de olhos fechados
aguardando que D. Sebastião se reencontre
com o azul desta orfandade ou maldição
como estátuas que as areias modelassem.

Mas as nossas mãos amor!... as nossas mãos!...
onde estão elas amor ?...
onde elas estão?...

Onde estão as nossas palavras sacudindo-se
imberbes aloiradas ressoando
percorrendo-nos inteiras como cânticos
que flutuassem geométricos verticais
ao sabor das liberdades verdadeiras ?...

Onde estão as nossas palavras meu amor ?...
onde estão elas amor ?...
onde elas estão ?...

Tinhamos uma flor em cada mão em cada peito
e em cada solução nos abraçávamos.

Nesta apoteótica espera que nos move
numa vivência de Vivaldi que nos acalma.

ou na brusquidão subitamente acontecendo
de uma sinfonia de Wagner que atordoa.

Esta pintura de Malhoa olhando o mar
nos medos que cheios de medo ainda sofremos
na ilha dos amores de onde emigrámos

e onde sonhámos meu amor

como sonhámos!...

Fernanda Costa

Lisboa, 30 de Agosto de 2008
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quarta-feira, agosto 27, 2008

ENCANTAMENTO!...

Na praia, pelo Sol, eu fui beijada
como só beijar sabem os amantes...
Com a Alma aquecida e a pele doirada
pensava que era jovem como dantes.

E pelo calor estonteada,
recordava momentos delirantes!
Então, mais do que nunca deslumbrada
vibrava com os seus raios palpitantes!

Pensei que se assim fora a eternidade
não teria, jamais, a faculdade
de recordar momentos bons d'outrora!

Oh Sol, que és a fonte da existência!
Quero viver contigo a tua essência
e sentir que o "dantes" inda é "agora".

Fernanda Costa

Lisboa, 27 de Agosto de 2008
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sexta-feira, agosto 22, 2008

GIRASSÓIS!...

Regressava do mar e fiquei presa!
Encantamento tal, louca ventura!
Palavras para quê, se era princesa
coroada por tanta formosura ?

Girassóis agitavam a beleza
num fim de tarde, grito de procura...
Suas hastes continham a leveza
duma corola aberta e insegura!

Um momento de sonho e de verdade!
Eu era uma princesa sem idade
perdida, sem saber por onde vim!

E enquanto o sol se ia escondendo
com sombras que me iam envolvendo,
achei uma perdida igual a mim!...

Fernanda Costa

Lisboa, 22 de Agosto de 2008
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sábado, agosto 16, 2008

ÊXTASE!...

Castelo de duende torturado
batido pela brisa do luar!
És sopro dum farol iluminado
com luzes já difusas a piscar.

És dum tempo vivido, mas passado...
Erguido bem pertinho do meu mar.
Por isso, para mim, tu és sagrado!
És mistério infinito a murmurar!...

Quantas vezes, oculta junto a ti,
me lembro dos momentos que vivi
em louca correria de ilusão!

E hoje, como sombra enluarada,
ainda continuo extasiada,
porque nada na vida foi em vão!

Fernanda Costa

Lisboa, 16 de Agosto de 2008

domingo, agosto 10, 2008

VIVÊNCIAS!...

Colhi os Frutos verdes da bonança.
Colhi o Sol com cheiro a maresia.
Colhi todo o Amor de ser criança.
Colhi muitos Segredos dia a dia.

Guardei-os recheados de Esperança
vibrando com a Vida em sintonia!
Baloucei com os Ventos sempre em dança,
como um Pássaro tonto de folia!

Os frutos, o amor e os segredos
levaram-me a perder todos os medos
para não me quedar, desencantada!

Agora, evocando o que vivi
e tentando esquecer o que sofri
Feliz, prosseguirei na caminhada!

Fernanda Costa

Horta, 10 de Agosto de 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

CÂNTICO!...

Eu quero descobrir lugar romântico
copado de folhinhas de ulmeiro!
Escrever para ti um doce cântico
enfeitado com rendas de loureiro!...

Eu queria fixar neste cântico
dos olhos teus o brilho feiticeiro!...
Atravessar contigo o Atlântico
p´rachegarmos depressa ao nosso outeiro!...

Então, encontraremos a guarrida
de rochas que convidam para a vida
e Aves que estremecem a dormir!

Gritando o nosso cântico de amor,
sorvamos deste tempo o seu sabor
e veremos Estrelas a cair!!!

Fernanda Costa

Horta, 6 de Agosto de 2008

domingo, julho 27, 2008

OS TEUS OLHOS

Tinhas mar nos teus olhos de safira
E um sorriso de sombra enluarada!
Tua voz era música de lira...
Teus braços uma gruta encantada!...

É difícil travar do tempo a ira
Quando há ventos agrestes e geada...
Mas se há um coração qu'inda delira
Toda a força do tempo é dominada!

Cheguei à conclusão... E com vaidade
Que as vivências da nossa mocidade
Conseguiram de mim fazer "rainha".

Os teus olhos, agora, são canção
Dos tempos bem distantes que lá vão
Diluídos em vida que é só minha!

Horta, 27 de Julho de 2008

Fernanda Costa

sábado, julho 05, 2008

PLENITUDE!...

Por ti de corpo e alma desejada,
também eu aderi aos teus desejos!
Como uma incandescente madrugada
e pus todo o meu corpo aos teus beijos!

Eu recebi e dei extasiada,
vivendo a acreditar nos teus cortejos!
Era sempre uma noite costelada
ouvindo, embriagada os teus harpejos!

Chamei o Sol, a Luz e o Calor,
e todos responderam á chamada!
De mãos dadas, os cinco com sabor
aguardamos nascer a alvorada!

Ela surgiu vibrante de fulgor
rescaldo de Estrela apaixonada!
Era quadro pintado sem pintor
de cabeleira solta, desgrenada!...

Olhaste-me sereno e recolhido
como esbatida luz crepuscular!
Lá de longe, muito longe, escondido,
dos teus olhos brotava o azul do mar!...

Fernanda Costa,
Horta, 5 de Julho de 2008

quarta-feira, junho 25, 2008

DE MÃOS DADAS!...

Um sopro de desejo no olhar!
Um gesto emotivo e escaldante!
Um só eco longínquo a flutuar!
Um só sorriso terno e confiante!

Eis o que chega para m’ofertar,
Como corola aberta e palpitante!
Com o odor salgado do meu mar
E murmúrio do rio sussurante!

Já fomos alvorada radiosa
Com laços de ternura a derramar!
Já fomos madrugada luminosa
Com raios bem fulgentes de luar!

Já fomos uma fonte impetuosa
Com força p’ra poder dessedentar…
Já fomos cotovia maviosa
Com gorgeios perdidos de encantar!

É um sonho álacre ainda em flor!
Horizonte pleno de gargalhadas!
Caminharemos para a eternidade amor
Sorvendo o nosso tempo de mãos dadas!

Fernanda Costa
Horta, 25 de Junho de 2008

quinta-feira, junho 19, 2008

SEDUÇÃO

Pedaço pequenino de luar
com um doce sorriso a seduzir!
Encontrei-te sozinho, junto ao mar
e pediste silêncio p'ra te ouvir!

»Quero-te junto a mim neste lugar
que desejo contigo repartir!...
É tempo de vivermos a sonhar
Esquecendo que a vida vai fugir«

Afinal procuravas também luz...
Nos meus olhos, a brilhar
qualquer coisa que eu sei que traduz
que é melhor encontrar que procurar!...

E quando de Sereia me chamavas
nos teus loucos arroubos de desejos!...
Quantas vezes pensaste que afogavas
a tua sede louca nos meus beijos!

Como tu te enganas-te, meu Amigo!
do teu sonho e da tua realidade
eu nunca fui Sereia mas, abrigo!
que apagou os vestígios da verdade!...

Fernanda Costa
Lisboa, 19 de junho de 2008

segunda-feira, junho 09, 2008

AMAR DE MAIS É LOUCURA!...

Porém, amar e saber amar
para o amor não cansar...

Ama, exige ser amado
sem Excessos de paixão
porque um ser apaixonado
deixa de ver a razão.

E o amar, cegamente,
ainda que o não pareça,
tem levado muita gente
a portar-se infantilmente
e a perder a cabeça.

Num amor equilibrado
cada um dos dois assume
o controlo do seu lado,
sem escravizar, sem ciúme,
saber amar e ser amado
não há mais belo perfume.

Amar com sinceridade,
sem nada ter que inventar
dando o que se tem p'ra dar,
naturalmente, à vontade,
é amor, é lealdade
que nunca vai saturar
e jamais pode acabar.


Amar de mais é loucura,
amar de menos cinismo,
mas, amar com egoísmo,
é muito pior, satura!
Portanto se amares, procura,
amar com conta e medida
para não teres na vida
um amor que é uma tortura.

Fernanda Costa
Lisboa,09 de Junho de 2008

terça-feira, junho 03, 2008

CONVERSAS ÍNTIMAS!...

Numa noite longa e fria,
com um serão prolongado,
o meu coração dormia
desiludido e cansado.

Fiz barulho e acordou
da sua desilusão
e apenas me perguntou:
-"Por favor que horas são"?

Olhei para o relógio e disse:
Nem sequer é madrugada,
meia-noite que "Chatice",
Ainda, não dormi nada...

Sabem como respondeu
meu cansado coração:
-"Não dormes tu, mas durmo eu,
está morta a minha ilusão.

Não me acordes por favor,
quero dormir descansado,
tuas insónias de amor
são um assunto arrumado.

Não esperes por quem não vem,
porque isso só mal te faz,
pois tu já não és ninguém,
dorme lá, descansa em paz".

Fernanda Costa
Lisboa, 03 de Junho de 2008

segunda-feira, junho 02, 2008

DOIS LOUCOS JUNTOS!...

Um dia, que não sei quando será,
tua loucura e a minha se juntarão,
nenhum preconceito as parará
e lado a lado, fazer loucuras irão.

O mundo é nosso e o caminho é em frente,
não pararemos, nem que nos ergam barreiras,
dois loucos juntos amando-se intensamente,
não são detidos por obstáculos, nem fronteiras.

Façam favor, não se oponham á loucura,
deixem-na ir, qual vendaval, qual tufão,
á nossa força, força nehuma segura.

É amor louco, transformado em foguetão,
nada e ningúem nos privará de ventura,
de voar juntos, nas asas, da ilusão.

Fernanda Costa
Lisboa, 02 de Junho de 2008

sábado, maio 31, 2008

POEMA PARA O MEU AMOR

Ao meu amor quero fazer um poema,
Obra sublime, que ninguém possa imitar,
que tenha o doce perfume de alfazema
e que a cor seja o azul de Céu e Mar.

Que a rima seja a mais certa que alguém
alguma vez, já conseguiu escrever,
que a pureza da linguagem, vá além,
do exigido pelos Mestres do Saber.

Que aos poetas possa servir de compêndio,
para estudarem como se faz poesia,
que tenha o lume e o calor dum grande incêndio
e a frescura duma gota de marzia.

Mostrar a força do meu amor infinito,
através de simples palavras minhas,
tudo o que neste poema não for escrito,
Quem souber ler, o lerá nas entrelinhas.

Fernanda,
Lisboa, 31 de Maio de 2008

sábado, maio 24, 2008

AS PARTÍCULAS DE AMOR!...

Curvei-me e levantei os seixos, do leito seco do rio,
que me olhavam com calor mas, estremeciam de frio.

Atirei-os para o longe, para o coração da folhagem,
que engrandecia a areia e coloria a paisagem.

Mas as folhas já pendentes,de uma árvore secular,
acolheram, no seu seio, os seixos que vinham no ar.

Debruçaram-se sobre o leito e deitaram sobre a areia,
os seixos do rio seco, como seios de sereia.

Vendo tão nobre carinho por parte da natureza,
ergui-os nas mãos de mansinho, torneei-os de pureza.

Embalei os seixos tristes e numa caixinha os guardei,
como pedras preciosas, da coroa de algum rei...

Pressenti um núcleo de ouro, tentando deles brotar,
fiz, das partículas de amor, um longo e belo colar.

Senti seu frio queimar, ao toque, meu jovem peito,
com carinho, gratidão e veemente respeito.

Os seixos secos do rio, já não são frios de amor,
são seios de casta sereia, na mente de um sonhador!...

Fernanda,
Lisboa, 24 de maio de 2008

sábado, maio 17, 2008

A DOÇURA DAS CARÍCIAS!...

Sei que um dia virás,
Contigo trazendo as ilusões renascidas,
As matizes suaves das madrugadas,
A quietude do silêncio da noite cálida,
O azul diáfano do voltejar dos pássaros,
O imponderável do que já foi mas não é,
A magia de voltar a ser,
A alegria infinda de poder viver!

Esperar-te-ei, olhando sobre a colina,
Com a carícia envolvente do desejo
E o fogo ardente dos meus olhos,
O tempo não rolará.

E seremos felizes para além dele,
Num abrigo de sombras vagas
Que acolherá os nossos gemidos sentidos
E as nossas emoções delirantes!

Depois, ofertar-me-ei plena de ternura
Para poderes colher com a leveza dos deuses
A doçura das carícias
E os odores da volúpia da noite!

Nascemos com o sol pela manhã,
Nossos sentimentos abençoados,
Sublimes, puros, iluminados!...

Fernanda,
Lisboa,17 de Maio de 2008

sábado, maio 10, 2008

MÚSICA

Música, melodia d'um estado de alma,
ouvida no dorso da mãe natureza,
ao sentir seu suspiro e sua beleza;
É deleite divinal, no âmago da calma!

Inspirada pelas ninfas, dançando na ria,
ela brota dos espíritos mais sagazes;
Dourando a rotina de vidas fugazes,
ao entrelaçar fios dourados de poesia!

A brisa sopra leve, levemente,
a folhagem estremece de prazer,
acanhando desejos de paixão ardente,
com sua carícia de suave envolver!

Como raposa, a lua assalta a janela,
roubando-me a ingenuidade do pensar,
transformando-me num barco à vela,
Que percorre marés-altas, a dormitar!

No vestido de chita da noviça manhã
eu só quero é avançar, impelir-me
para esse sabor molhado de romã,
para o trecho eloquente a seduzir-me!

Música,
musa inspiradora;
Mensagem de paz,
de amor e de esperança;
Deusa reveladora
dos turbilhões vivenciais;
Nota de nostalgia;
Dama do tempo
que invade os corações
e os faz vibrar
ao som do seu ritmo
e da sua comunicação!..

Fernanda,
Lisboa,10 de Maio de 2008

sexta-feira, abril 18, 2008

SE ÉS FELIZ, EU TAMBÉM SOU!

Do nada surgiu a minha alma,
Do nada proveio o meu sentir,
Do nada nasceu a paz, a calma,
O amor que em mim sei existir!

Do nada veio o sonho, a certeza,
Do nada se criou realidade,
Do nada sei que sou, mas estou presa
Senão a ti e à tua virilidade!

Entendi a melodia que cantavas,
Nada melhor poderia ouvir assim,
Percebi nos sons agudos que me chamavas,
Delirei com os sons graves ser por mim!

Embalei meu corpo ao som da melodia,
Sonhou minha alma ao sentir as palavras,
Subiu no meu peito uma calma ousadia,
Carpiram meus olhos, pelo amor que me lavras!

Não volto a sonhar, nem mesmo a dormir,
Não quero perder o amor da vida,
Procuro a luz forte que me fez sorrir,
E teu corpo me envolve e me dá guarida!

Fernanda

segunda-feira, abril 14, 2008

BEIJO DE EMOÇÃO!...

Não duvido...
Acredito...
No quanto me queres e me amas.
Não duvido...
Acredito...
Nas vezes que em mim pensas e me chamas.

Não duvido do teu sincero amor...
Não duvido da tua grande afeição...
Acredito no teu forte abraço, com ardor,
acredito no teu longo beijo, de emoção.

Acredito na profunda sinceridade
com que me amas, com que me abraças.
Ao olhar-te nos olhos sinto a claridade,
que em dias de sol transpõe as vidraças.

Não duvido que contigo sou alguém,
que apesar de não te ter quanto queria,
saltei o muro, a cerca, o além,
tendo alcançado o amor e a alegria.

Não duvido que a terra que piso,
me dá firmeza para caminhar em frente.
Apercebo-me do quanto um leal aviso,
me faz meditar de modo diferente.

Não duvido que o ar que respiro,
me dá incentivo para lutar por ti.
Não duvido que o teu breve suspiro,
me faz recordar o todo que vivi.

Não duvido, que não irás duvidar...
Acredito que irás acreditar...
que na outra casinha, haver também lugar,
para o abraço, o beijo, o amor provar!

Acredito que no outro País, onde amanhã
te procurarei, sem tempo, sem limite.
Nos meus olhos sentirás o afã
que à minha alma a saudade, de ti, o transmite...

Fernanda

domingo, abril 06, 2008

NA LUZ DOS TEUS OLHOS...

... E meus olhos se fecharam lentamente,
como nossos lábios no nascer de um beijo,
...e meu pensamento corre de contente,
para te dizer quanto te desejo!

Murmuro baixinho o meu grande amor,
num breve carinho te faço sorrir,
abraça-me forte, dá-me o teu calor...
A noite está fria e o céu tão negro,
tenho medo amor, não me deixes só;
quero sentir tuas mãos nas minhas,
a luz dos teus olhos iluminar os meus,
como se fossemos o Sol e a Lua,
neste Universo criado por Deus!...

E tudo voltou a ser como era...
na luz dos teus olhos sorrindo de amor,
e tudo é verdade e tudo é quimera,
quando sinto em mim todo o teu fulgor...

Fernanda