sábado, abril 14, 2007
Vem
e aquieta no meu peito
tanta agitação
repousa em mim os teus
tormentos
saudades, desalentos
que em ti derramarei
compreensão.
Depois verás amor
se a comunhão do espírito
é ou não
no mar da vida
tábua de salvação.
Descansa pois querido,
longe ou perto
estou sempre contigo.
Nunca as milhas nos afastarão
nem mar
ou outros continentes
outras terras, outras gentes
nos impedirão de amar
ou na lealdade
ser descrentes
Fernanda
e aquieta no meu peito
tanta agitação
repousa em mim os teus
tormentos
saudades, desalentos
que em ti derramarei
compreensão.
Depois verás amor
se a comunhão do espírito
é ou não
no mar da vida
tábua de salvação.
Descansa pois querido,
longe ou perto
estou sempre contigo.
Nunca as milhas nos afastarão
nem mar
ou outros continentes
outras terras, outras gentes
nos impedirão de amar
ou na lealdade
ser descrentes
Fernanda
domingo, março 25, 2007
Miradouro da Espalamaca
Foi no miradouro da Espalamaca, promontório protector da baía, onde admirei a beleza dos moinhos de vento bem conservados, vestígios da importância
que gozavam no quotidiano dos tempos em que me criei; dali contemplei apaixonadamente mar e céu confundidos numa simbiose de cor e paz, com o Pico em toda a sua majestade a completar a beleza paisagística dumas das vistas mais fotografadas de todo o arquipélago dos Açores.
A Horta espraiava-se enternecida aos pés do majestoso monumento da
Imaculada Conceição, assente num supedâneo de basalto e ladeada por uma cruz
De cimento, que se eleva a grande altura. Vista do alto da Espalamaca, destaca-se a
Marina repleta de iates vindos de toda a parte do mundo e a cidade, que se ajeita
á volta da baía, elevando-se num anfiteatro colorido como que a exibir-se perante o
Pico, seu eterno namorado.
E aquele mar…sempre aquele mar, a unir e a separar as duas ilhas, numa quimera interminável. Do lado oposto de cidade, o Monte Queimado e o Monte da Guia, completam o abraço que enlança a cidade protegendo-a das investidas dos vendavais,
que no Inverno assolam as ilhas. Do outro lado da Espalamaca espraia-se a Praia do
Almoxarife, presépio de casario colorido, que a dois passos da cosmo politica Horta
Oferece, num ambiente rural o lazer da praia onde se respira a brisa campestre, salpicada de elixir refrescante do mar, numa mistura saudável e regeneradora.
Fernanda
Foi no miradouro da Espalamaca, promontório protector da baía, onde admirei a beleza dos moinhos de vento bem conservados, vestígios da importância
que gozavam no quotidiano dos tempos em que me criei; dali contemplei apaixonadamente mar e céu confundidos numa simbiose de cor e paz, com o Pico em toda a sua majestade a completar a beleza paisagística dumas das vistas mais fotografadas de todo o arquipélago dos Açores.
A Horta espraiava-se enternecida aos pés do majestoso monumento da
Imaculada Conceição, assente num supedâneo de basalto e ladeada por uma cruz
De cimento, que se eleva a grande altura. Vista do alto da Espalamaca, destaca-se a
Marina repleta de iates vindos de toda a parte do mundo e a cidade, que se ajeita
á volta da baía, elevando-se num anfiteatro colorido como que a exibir-se perante o
Pico, seu eterno namorado.
E aquele mar…sempre aquele mar, a unir e a separar as duas ilhas, numa quimera interminável. Do lado oposto de cidade, o Monte Queimado e o Monte da Guia, completam o abraço que enlança a cidade protegendo-a das investidas dos vendavais,
que no Inverno assolam as ilhas. Do outro lado da Espalamaca espraia-se a Praia do
Almoxarife, presépio de casario colorido, que a dois passos da cosmo politica Horta
Oferece, num ambiente rural o lazer da praia onde se respira a brisa campestre, salpicada de elixir refrescante do mar, numa mistura saudável e regeneradora.
Fernanda
Retorno
Retorno ao ponto de origem, visito os caminhos por onde pisei,
Recordo a menina travessa, a querer ultrapassar os limites e a deixar que a vida
Tome o seu corpo e alma. A memória guarda os pedaços da minha história e em cada recanto, encontro-me.
Os olhos vagueiam e sentem a natureza gritando a sua força. Recordo
As minhas idades, 9, 10, 11 anos, caminho sem pressa, afasto as pedras, como flores, falo com elas…são faladoras: contam-me as suas cores, do cheiro, da beleza e dos seus amores.
A memória lembra e não quero seu fenecimento. O rosto de hoje mudou,
Sou outra e sou a mesma.
O sol a declinar e a menina ali a observar o crepúsculo a se esvair aos poucos, despedindo-se sem traumas, num adeus sereno, sem deixar lágrimas, na doce previsão do seu retornar.
A menina e eu na mais incondicional cumplicidade.
Fernanda
Retorno ao ponto de origem, visito os caminhos por onde pisei,
Recordo a menina travessa, a querer ultrapassar os limites e a deixar que a vida
Tome o seu corpo e alma. A memória guarda os pedaços da minha história e em cada recanto, encontro-me.
Os olhos vagueiam e sentem a natureza gritando a sua força. Recordo
As minhas idades, 9, 10, 11 anos, caminho sem pressa, afasto as pedras, como flores, falo com elas…são faladoras: contam-me as suas cores, do cheiro, da beleza e dos seus amores.
A memória lembra e não quero seu fenecimento. O rosto de hoje mudou,
Sou outra e sou a mesma.
O sol a declinar e a menina ali a observar o crepúsculo a se esvair aos poucos, despedindo-se sem traumas, num adeus sereno, sem deixar lágrimas, na doce previsão do seu retornar.
A menina e eu na mais incondicional cumplicidade.
Fernanda
quarta-feira, março 21, 2007
O Vulcão dos Capelinhos
O Vulcão dos Capelinhos, que em 1957 alterou para sempre o destino de tantos Açorianos, continua sendo ama atracção para turistas de todo o mundo. Assim todo o Faialense emigrado de visita à Ilha regra geral, visita o Vulcão na primeira semana.
Não fiz excepção. Logo no segundo dia fui ao Capelo. Algumas casas ainda em ruínas e sem tecto de paredes carcomidas pelas intempéries, reflectem a desolação e a tristeza dos habitantes que à mais de quatro décadas, foram obrigadas a abandonar os seus lares.
Já se vêem algumas verduras em áreas que ao tempo ficaram totalmente soterradas pela cinza negra do vulcão.
O capelo era a minha freguesia predilecta. Ao “ canto “ antes de chegar á estrada que dava para o Porto Comprido onde os baleeiros Picoenses passavam a época da baleação.Desde 1957 ocupada por areias negras onde apenas se via o velho Farol lá em baixo permanecia erecto, frente ao que era então o Porto Comprido, como um monumento a lembrar-nos da sua época áurea, pré-vulcão. Lá estava de paredes enegrecidas desafiando o tempo, património dum passado feliz que o vulcão soterrou.
Continuei o meu trajecto à volta da ilha, e o aspecto desolador de algumas áreas deixou-me deveras entristecida. Casas e igrejas arruinadas, muros tornados maroiços de pedra, vestígios evidentes dos danos causados pelo sismo de 1998. Marcas óbvias e impressionantes do sofrimento daquelas gentes que na lava quente, moldam a arte da resignação e a coragem de procurarem no destino conforto para as frequentes tragédias a que estão sujeitos, pela sua condição de Ilhéus.
No regresso ao Hotel, passei na Praia do Norte, num café onde tomei um “ galão “ com uns bolos saborosíssimos feitos pela dona do estabelecimento. Continuei o meu caminho e ao chegar aos Cedros notei a beleza e o número de casas modernas recentemente reconstruídas e que contrastam com tantas outras que hoje não passam de ruínas, recordações dolorosas da intensidade dos tremores sofridos durante os últimos anos. Fiquei deveras contente quando paro o carro no centro da Praça dos Cedros e vejo o belíssimo Império do Divino Espírito Santo pintado de fresco para as festas já próximas. Lá no centro continua o velhinho Chafariz onde em pequena me sentava pelas festas. Linda também estava a Igreja já restaurada do incêndio de 1971.
Trinta anos de ausência, foi muito tempo. Senti-me como uma turista que visitava a Ilha pela primeira vez e sem notar deixei-me invadir por um sentimento nostálgico, completamente diferente daquilo que eu esperava sentir ao visitar a minha terra natal. Prometi então a mim própria que se Deus me desse vida, jamais ficaria ausente por tanto tempo.
Ao chegar à Cidade da Horta e ao passar pela marina senti uma lágrima rebelde me toldava a vista e,
Assim me despedi
Do cantinho onde nasci,
E lá resolvi deixar
Sementes a germinar.
Ali, eu hei-de colher
Os frutos daquele mar
E hei-de ir ao Pátio
Para ver as toninhas a bailar.
O Vulcão dos Capelinhos, que em 1957 alterou para sempre o destino de tantos Açorianos, continua sendo ama atracção para turistas de todo o mundo. Assim todo o Faialense emigrado de visita à Ilha regra geral, visita o Vulcão na primeira semana.
Não fiz excepção. Logo no segundo dia fui ao Capelo. Algumas casas ainda em ruínas e sem tecto de paredes carcomidas pelas intempéries, reflectem a desolação e a tristeza dos habitantes que à mais de quatro décadas, foram obrigadas a abandonar os seus lares.
Já se vêem algumas verduras em áreas que ao tempo ficaram totalmente soterradas pela cinza negra do vulcão.
O capelo era a minha freguesia predilecta. Ao “ canto “ antes de chegar á estrada que dava para o Porto Comprido onde os baleeiros Picoenses passavam a época da baleação.Desde 1957 ocupada por areias negras onde apenas se via o velho Farol lá em baixo permanecia erecto, frente ao que era então o Porto Comprido, como um monumento a lembrar-nos da sua época áurea, pré-vulcão. Lá estava de paredes enegrecidas desafiando o tempo, património dum passado feliz que o vulcão soterrou.
Continuei o meu trajecto à volta da ilha, e o aspecto desolador de algumas áreas deixou-me deveras entristecida. Casas e igrejas arruinadas, muros tornados maroiços de pedra, vestígios evidentes dos danos causados pelo sismo de 1998. Marcas óbvias e impressionantes do sofrimento daquelas gentes que na lava quente, moldam a arte da resignação e a coragem de procurarem no destino conforto para as frequentes tragédias a que estão sujeitos, pela sua condição de Ilhéus.
No regresso ao Hotel, passei na Praia do Norte, num café onde tomei um “ galão “ com uns bolos saborosíssimos feitos pela dona do estabelecimento. Continuei o meu caminho e ao chegar aos Cedros notei a beleza e o número de casas modernas recentemente reconstruídas e que contrastam com tantas outras que hoje não passam de ruínas, recordações dolorosas da intensidade dos tremores sofridos durante os últimos anos. Fiquei deveras contente quando paro o carro no centro da Praça dos Cedros e vejo o belíssimo Império do Divino Espírito Santo pintado de fresco para as festas já próximas. Lá no centro continua o velhinho Chafariz onde em pequena me sentava pelas festas. Linda também estava a Igreja já restaurada do incêndio de 1971.
Trinta anos de ausência, foi muito tempo. Senti-me como uma turista que visitava a Ilha pela primeira vez e sem notar deixei-me invadir por um sentimento nostálgico, completamente diferente daquilo que eu esperava sentir ao visitar a minha terra natal. Prometi então a mim própria que se Deus me desse vida, jamais ficaria ausente por tanto tempo.
Ao chegar à Cidade da Horta e ao passar pela marina senti uma lágrima rebelde me toldava a vista e,
Assim me despedi
Do cantinho onde nasci,
E lá resolvi deixar
Sementes a germinar.
Ali, eu hei-de colher
Os frutos daquele mar
E hei-de ir ao Pátio
Para ver as toninhas a bailar.
Fernanda
terça-feira, março 06, 2007
VONTADES
Acordei feliz, fui ao encontro do mar e um oceano de liberdade, mesmo vestida, mergulhei na água transparente de um mar azul. A espuma branquinha, acariciava a minha pele.
Gosto do mar, ele escuta-me, conto-lhe os meus segredos, falo de um amor azul, de um sonho azul, e ele também me diz muito…faz-me crer, que urge encontrar-me comigo mesma, convida-me a conhecer-me melhor.
Hoje grito a liberdade das portas abertas, a liberdade do vento e deixo-me molhar pela água e pelo sol da vida.
E vou…e quero…quero com optimismo dos que querem perseguir os rumos escolhidos.
Hum!!!
Vontade de correr,
Vontade de sentir,
Vontade de viver
E viverei
Hum!!!
Cheiro de maresia,
Da cor azul,
Do amor azul
Hum…
Fernanda
Acordei feliz, fui ao encontro do mar e um oceano de liberdade, mesmo vestida, mergulhei na água transparente de um mar azul. A espuma branquinha, acariciava a minha pele.
Gosto do mar, ele escuta-me, conto-lhe os meus segredos, falo de um amor azul, de um sonho azul, e ele também me diz muito…faz-me crer, que urge encontrar-me comigo mesma, convida-me a conhecer-me melhor.
Hoje grito a liberdade das portas abertas, a liberdade do vento e deixo-me molhar pela água e pelo sol da vida.
E vou…e quero…quero com optimismo dos que querem perseguir os rumos escolhidos.
Hum!!!
Vontade de correr,
Vontade de sentir,
Vontade de viver
E viverei
Hum!!!
Cheiro de maresia,
Da cor azul,
Do amor azul
Hum…
Fernanda
A CALDEIRA
Atravessando o vale dos Flamengos, região de courelas onde o verde das pastagens contrasta com o azul exuberante das hortênsias que dividem currais e pedaços de terra, numa tela geométrica, graciosamente ornada pela natureza.
Da freguesia dos Flamengos segui pela estrada que nos leva ao ponto mais alto da Ilha, a Cratera da Caldeira.
As bermas ladeadas de hortênsias de tonalidades dum azul etéreo e deslumbrante, acompanhava-me da Ermida de S. João até à borda da Caldeira. Aqui e ali, madeixas de junquilhos de cor amarela berrante pareciam querer seguir-me naquele passeio de sonho e cor. Lá no alto atravessei o pequeno túnel húmido que leva ao lado interior da borda da Caldeira, donde se avistam as vertentes a prumo e o fundo da cratera onde, outrora existia uma lagoa pantanosa, abundante de rãs e coloridos peixes de água doce, tão procurados pelos jovens no dia de S. João, tal como eu visitei em menina muitas vezes.
Prosseguindo por estradas de mato que me eram ainda conhecidas encontrei como outrora campos rodeados de pastagens circundadas por mananciais de hortênsias, num conjunto de pujança e beleza. Ao longe, desenhavam-se silhuetas de gado bovino, único sinal de vida daquelas paragens.
Fernanda
Atravessando o vale dos Flamengos, região de courelas onde o verde das pastagens contrasta com o azul exuberante das hortênsias que dividem currais e pedaços de terra, numa tela geométrica, graciosamente ornada pela natureza.
Da freguesia dos Flamengos segui pela estrada que nos leva ao ponto mais alto da Ilha, a Cratera da Caldeira.
As bermas ladeadas de hortênsias de tonalidades dum azul etéreo e deslumbrante, acompanhava-me da Ermida de S. João até à borda da Caldeira. Aqui e ali, madeixas de junquilhos de cor amarela berrante pareciam querer seguir-me naquele passeio de sonho e cor. Lá no alto atravessei o pequeno túnel húmido que leva ao lado interior da borda da Caldeira, donde se avistam as vertentes a prumo e o fundo da cratera onde, outrora existia uma lagoa pantanosa, abundante de rãs e coloridos peixes de água doce, tão procurados pelos jovens no dia de S. João, tal como eu visitei em menina muitas vezes.
Prosseguindo por estradas de mato que me eram ainda conhecidas encontrei como outrora campos rodeados de pastagens circundadas por mananciais de hortênsias, num conjunto de pujança e beleza. Ao longe, desenhavam-se silhuetas de gado bovino, único sinal de vida daquelas paragens.
Fernanda
sábado, fevereiro 24, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
A jeito de introdução
Não tinha a menor intenção, de escrever fosse o que fosse, quando me desloquei aos Açores em Junho de 2004. Porém, esta experiência de regresso, foi de tal modo marcante ao fim de quase trinta anos, que decidi registar encontros significativos, que jamais quero olvidar.
Assim, nasceu este molhinho de recordações, que tem como mérito partilhar, a experiência de regresso á Terra - Mãe que, à primeira vista se me apresentou diferente, mas no fundo não deixa de ser mãe e, como tal, sempre acarinha a filha ou filho que um dia regressa ao lar, embora só de passagem.
Obervar a minha ilha do Faial, as ruínas causadas pelo último sismo, as inúmeras casas totalmente demolidas, as igrejas de paredes rachadas, como é o caso da igreja das Angústias na cidade da Horta, como se tivessem sido atingidas por uma série de raios e das estradas abandonadas e fora de circulação, levou-me a recordar horas angustiadas, vividas por tantos faialenses aquando da erupção do vulcão dos Cape linhos e, senti - me deveras entristecer.
É que, esta visão do presente fez – me lembrar o que há muito vivi e aprendi sobre os sofrimentos e as calamidades que ao longo de cinco séculos, flagelaram o povo
Açoriano, consequência da sua situação geográfica e da natureza vulcânica do seu solo.
Através da sua existência, Os Açores enfrentaram terramotos e vulcões que derrubaram freguesias e dizimaram povoações inteiras e ainda os furacões e tempestades marítimas, que continuam a assolar as costas das suas ilhas.
A minha visita à Ilha que me viu nascer, depois de tantos anos sensibilizou-me profundamente. Frente ao farol denegrido, dos Capelinhos, olhando céu e mar a contrastar com o negrume da areia , recordei o terror dos tremores que nos abalavam frequentemente e, senti crescer no fundo do meu ser , um imenso respeito por aqueles que optaram por ficar na terra, lutando teimosamente para preservarem a sua açorianidade e a beleza do oásis, que são as nossas ilhas. Essa luta, por vezes titânica, não foi em vão. Apesar de tudo, os Açores conservam a pureza do ar, a limpidez das suas águas, a beleza inigualável das suas paisagens, a riqueza do seu solo, o azul celestial de mar e céu que as hortênsias matizam, o milagre verde da sua exuberante vegetação e, o seu povo continua a ser a mesma gente honesta, afável, generosa e hospitaleira que tem por lema, “Fazer bem sem olhar a quem”.
Ali, na minha terra de origem, ao fim de tantos anos senti renascer em mim, um sentimento mais forte de pertença; decifrei então letra por letra a palavra SAUDADE e, constatei que, nem o tempo nem a distância, lograram alterar as raízes da minha açorianidade. Nas voltas pela MINHA ILHA ENCANTADA, registei centenas de fotografias dos lugares, que tanto me fizeram sonhar aos longos dos anos.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Na praia da maré mansa
O poeta escreve as suas poesias,
Não sei se por ousadia,
de um destino diferente.
Vai levando o viajante,
A pensar na poesia.
Na praia da maré mansa
a areia é uma beleza,
que traça as vivas letras,
de poemas, de encantos
de versos exuberantes
do topo da poesia.
Na praia da maré mansa,
O sol nos ilumina
e nos transmite uma sina
de criar a todo o instante,
um poema brilhante,
na brisa da poesia
Na paria da maré mansa,
O poeta escreve a vida
mais restando a esperança
de sonhos e versos.
O poeta se lança
na praia da maré mansa
banhando-se de poesia.
Fernanda
O poeta escreve as suas poesias,
Não sei se por ousadia,
de um destino diferente.
Vai levando o viajante,
A pensar na poesia.
Na praia da maré mansa
a areia é uma beleza,
que traça as vivas letras,
de poemas, de encantos
de versos exuberantes
do topo da poesia.
Na praia da maré mansa,
O sol nos ilumina
e nos transmite uma sina
de criar a todo o instante,
um poema brilhante,
na brisa da poesia
Na paria da maré mansa,
O poeta escreve a vida
mais restando a esperança
de sonhos e versos.
O poeta se lança
na praia da maré mansa
banhando-se de poesia.
Fernanda
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
AS TONINHAS
A toninha é um dos animais marinhas mais graciosos. Do lugar onde eu morava em criança, era frequente verem-se três ou quatro toninhas, pela tarde, saltando fora da água, em movimentos sincronizados como se uma delas comandasse e as outras seguissem todas a mesma cadência. Ficavam assim, às vezes durante uma hora e mais, como que a entreterem o pessoal, que se juntava no Pátio do Joaquim para admirar a dança das toninhas. Foi realmente uma coincidência agradabilíssima poder observar do mesmo sítio e depois de uma ausência tão prolongada, três toninhas cabriolando no mar, mesmo em frente ao Pátio, como se quisessem fazer-me recordar as horas que lá passara em pequena, a observar outras toninhas na mesma dança cadenciada.
Lembrei-me então de algumas histórias que meu tio contava…
Afirmava não ser capaz de matar uma toninha. Dizia que, uma vez tinha lançado as redes de malhar ao largo da costa do Varadouro, quando notou que uma toninha se tinha enrolado na rede e que, ao tentar libertar-se, cada vez se enrolava mais. Lançou então mão à faca, que tinha debaixo duma das tilhas da lancha e, trazendo até à popa o pedaço de rede onde a toninha se tinha enrolado, começou a cortar as malhas para libertar o animal. Dizia ele que, ao olhar a toninha, viu caírem-lhe dos olhos gotas de água que mais lhe pareceram lágrimas humanas. Por essa razão, afirmava, nunca ser capaz de apanhar uma delas, embora soubesse que a carne de toninha era muito apreciada por algumas pessoas.
Contava ainda que, “um dia por meio da tarde tinha ido pescar às garoupas de corrico”, quando começou a ouvir um som que mais lhe parecia um gemido. Olhou e voltou a olhar à sua volta, sem conseguir descobrir a origem do estranho lamento, que cada vez ouvia mais perto. Eis senão quando vê nadando paralela ao bote, uma toninha solitária. Que lhe pareceu doente,”até talvez” – dizia ele – “ela se tivesse afastado das companheiras e daí a razão porque parecia tão angustiada”.
Respirava à tona de água lançando um gemido e mergulhava um pouco, voltando logo a nadar a uns dois metros de distância do bote. Atirou-lhe então umas sardinhas, parte da ruama *petinga ou peixe miúdo* que ele usava para isco e, como que a agradecer-lhe, a toninha fez umas quantas piruetas mais perto do bote. Não levou muito tempo para que viesse comer as sardinhas à mão dele, soerguendo-se mesmo à borda do bote.
Afirmou meu tio que aquela toninha, lhe tinha feito companhia durante toda a tarde, pois que seguira-lhe os movimentos com receio que ela se engatasse nalgum dos muitos anzóis da linha de corrico.
Andou por lá pescando até cair da tarde e, quando levantou a linha, remou em direcção à terra e a toninha acompanhou-o até à costa. Dizia ele que, mesmo à entrada do Porto, ela deu ainda uns saltos graciosos como a despedir-se.
Não admira que tantos lobos-do-mar, em noite de lua cheia,
se tenham apaixonado pela graciosidade das sereias, que dançavam, sobre as águas, gemendo baladas, talvez por terem de passar a vida no mar, quando eram capazes,
de chorar, cantar, gemer e dançar em cadências ritmadas e graciosas, partilhando do mesmo ar respirando por esses que as ouviam e admiravam de longe em noites de calmaria…
Fernanda,
A toninha é um dos animais marinhas mais graciosos. Do lugar onde eu morava em criança, era frequente verem-se três ou quatro toninhas, pela tarde, saltando fora da água, em movimentos sincronizados como se uma delas comandasse e as outras seguissem todas a mesma cadência. Ficavam assim, às vezes durante uma hora e mais, como que a entreterem o pessoal, que se juntava no Pátio do Joaquim para admirar a dança das toninhas. Foi realmente uma coincidência agradabilíssima poder observar do mesmo sítio e depois de uma ausência tão prolongada, três toninhas cabriolando no mar, mesmo em frente ao Pátio, como se quisessem fazer-me recordar as horas que lá passara em pequena, a observar outras toninhas na mesma dança cadenciada.
Lembrei-me então de algumas histórias que meu tio contava…
Afirmava não ser capaz de matar uma toninha. Dizia que, uma vez tinha lançado as redes de malhar ao largo da costa do Varadouro, quando notou que uma toninha se tinha enrolado na rede e que, ao tentar libertar-se, cada vez se enrolava mais. Lançou então mão à faca, que tinha debaixo duma das tilhas da lancha e, trazendo até à popa o pedaço de rede onde a toninha se tinha enrolado, começou a cortar as malhas para libertar o animal. Dizia ele que, ao olhar a toninha, viu caírem-lhe dos olhos gotas de água que mais lhe pareceram lágrimas humanas. Por essa razão, afirmava, nunca ser capaz de apanhar uma delas, embora soubesse que a carne de toninha era muito apreciada por algumas pessoas.
Contava ainda que, “um dia por meio da tarde tinha ido pescar às garoupas de corrico”, quando começou a ouvir um som que mais lhe parecia um gemido. Olhou e voltou a olhar à sua volta, sem conseguir descobrir a origem do estranho lamento, que cada vez ouvia mais perto. Eis senão quando vê nadando paralela ao bote, uma toninha solitária. Que lhe pareceu doente,”até talvez” – dizia ele – “ela se tivesse afastado das companheiras e daí a razão porque parecia tão angustiada”.
Respirava à tona de água lançando um gemido e mergulhava um pouco, voltando logo a nadar a uns dois metros de distância do bote. Atirou-lhe então umas sardinhas, parte da ruama *petinga ou peixe miúdo* que ele usava para isco e, como que a agradecer-lhe, a toninha fez umas quantas piruetas mais perto do bote. Não levou muito tempo para que viesse comer as sardinhas à mão dele, soerguendo-se mesmo à borda do bote.
Afirmou meu tio que aquela toninha, lhe tinha feito companhia durante toda a tarde, pois que seguira-lhe os movimentos com receio que ela se engatasse nalgum dos muitos anzóis da linha de corrico.
Andou por lá pescando até cair da tarde e, quando levantou a linha, remou em direcção à terra e a toninha acompanhou-o até à costa. Dizia ele que, mesmo à entrada do Porto, ela deu ainda uns saltos graciosos como a despedir-se.
Não admira que tantos lobos-do-mar, em noite de lua cheia,
se tenham apaixonado pela graciosidade das sereias, que dançavam, sobre as águas, gemendo baladas, talvez por terem de passar a vida no mar, quando eram capazes,
de chorar, cantar, gemer e dançar em cadências ritmadas e graciosas, partilhando do mesmo ar respirando por esses que as ouviam e admiravam de longe em noites de calmaria…
Fernanda,
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