sábado, abril 14, 2007

As rosas do meu jardim.
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Doce mar-minha paixão
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Vem

e aquieta no meu peito
tanta agitação
repousa em mim os teus
tormentos
saudades, desalentos
que em ti derramarei
compreensão.
Depois verás amor
se a comunhão do espírito
é ou não
no mar da vida
tábua de salvação.
Descansa pois querido,
longe ou perto
estou sempre contigo.
Nunca as milhas nos afastarão
nem mar
ou outros continentes
outras terras, outras gentes
nos impedirão de amar
ou na lealdade
ser descrentes

Fernanda
Pôr do sol-Faial-Açores
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domingo, março 25, 2007

Marina da Horta
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Miradouro da Espalamaca


Foi no miradouro da Espalamaca, promontório protector da baía, onde admirei a beleza dos moinhos de vento bem conservados, vestígios da importância
que gozavam no quotidiano dos tempos em que me criei; dali contemplei apaixonadamente mar e céu confundidos numa simbiose de cor e paz, com o Pico em toda a sua majestade a completar a beleza paisagística dumas das vistas mais fotografadas de todo o arquipélago dos Açores.
A Horta espraiava-se enternecida aos pés do majestoso monumento da
Imaculada Conceição, assente num supedâneo de basalto e ladeada por uma cruz
De cimento, que se eleva a grande altura. Vista do alto da Espalamaca, destaca-se a
Marina repleta de iates vindos de toda a parte do mundo e a cidade, que se ajeita
á volta da baía, elevando-se num anfiteatro colorido como que a exibir-se perante o
Pico, seu eterno namorado.
E aquele mar…sempre aquele mar, a unir e a separar as duas ilhas, numa quimera interminável. Do lado oposto de cidade, o Monte Queimado e o Monte da Guia, completam o abraço que enlança a cidade protegendo-a das investidas dos vendavais,
que no Inverno assolam as ilhas. Do outro lado da Espalamaca espraia-se a Praia do
Almoxarife, presépio de casario colorido, que a dois passos da cosmo politica Horta
Oferece, num ambiente rural o lazer da praia onde se respira a brisa campestre, salpicada de elixir refrescante do mar, numa mistura saudável e regeneradora.

Fernanda
Cidade da Horta-Vista da Espalamaca
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Retorno

Retorno ao ponto de origem, visito os caminhos por onde pisei,
Recordo a menina travessa, a querer ultrapassar os limites e a deixar que a vida
Tome o seu corpo e alma. A memória guarda os pedaços da minha história e em cada recanto, encontro-me.
Os olhos vagueiam e sentem a natureza gritando a sua força. Recordo
As minhas idades, 9, 10, 11 anos, caminho sem pressa, afasto as pedras, como flores, falo com elas…são faladoras: contam-me as suas cores, do cheiro, da beleza e dos seus amores.
A memória lembra e não quero seu fenecimento. O rosto de hoje mudou,
Sou outra e sou a mesma.
O sol a declinar e a menina ali a observar o crepúsculo a se esvair aos poucos, despedindo-se sem traumas, num adeus sereno, sem deixar lágrimas, na doce previsão do seu retornar.
A menina e eu na mais incondicional cumplicidade.


Fernanda

quarta-feira, março 21, 2007

Capela no Monte da Guia-Faial -Açores
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Império do Divino Espírito Santo-Praça dos Cedros
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Jardim da Igreja dos Cedros
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Igreja dos Cedros
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Fonte na freguesia dos Cedros-Faial-Açores
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O Vulcão dos Capelinhos


O Vulcão dos Capelinhos, que em 1957 alterou para sempre o destino de tantos Açorianos, continua sendo ama atracção para turistas de todo o mundo. Assim todo o Faialense emigrado de visita à Ilha regra geral, visita o Vulcão na primeira semana.
Não fiz excepção. Logo no segundo dia fui ao Capelo. Algumas casas ainda em ruínas e sem tecto de paredes carcomidas pelas intempéries, reflectem a desolação e a tristeza dos habitantes que à mais de quatro décadas, foram obrigadas a abandonar os seus lares.
Já se vêem algumas verduras em áreas que ao tempo ficaram totalmente soterradas pela cinza negra do vulcão.
O capelo era a minha freguesia predilecta. Ao “ canto “ antes de chegar á estrada que dava para o Porto Comprido onde os baleeiros Picoenses passavam a época da baleação.Desde 1957 ocupada por areias negras onde apenas se via o velho Farol lá em baixo permanecia erecto, frente ao que era então o Porto Comprido, como um monumento a lembrar-nos da sua época áurea, pré-vulcão. Lá estava de paredes enegrecidas desafiando o tempo, património dum passado feliz que o vulcão soterrou.
Continuei o meu trajecto à volta da ilha, e o aspecto desolador de algumas áreas deixou-me deveras entristecida. Casas e igrejas arruinadas, muros tornados maroiços de pedra, vestígios evidentes dos danos causados pelo sismo de 1998. Marcas óbvias e impressionantes do sofrimento daquelas gentes que na lava quente, moldam a arte da resignação e a coragem de procurarem no destino conforto para as frequentes tragédias a que estão sujeitos, pela sua condição de Ilhéus.
No regresso ao Hotel, passei na Praia do Norte, num café onde tomei um “ galão “ com uns bolos saborosíssimos feitos pela dona do estabelecimento. Continuei o meu caminho e ao chegar aos Cedros notei a beleza e o número de casas modernas recentemente reconstruídas e que contrastam com tantas outras que hoje não passam de ruínas, recordações dolorosas da intensidade dos tremores sofridos durante os últimos anos. Fiquei deveras contente quando paro o carro no centro da Praça dos Cedros e vejo o belíssimo Império do Divino Espírito Santo pintado de fresco para as festas já próximas. Lá no centro continua o velhinho Chafariz onde em pequena me sentava pelas festas. Linda também estava a Igreja já restaurada do incêndio de 1971.
Trinta anos de ausência, foi muito tempo. Senti-me como uma turista que visitava a Ilha pela primeira vez e sem notar deixei-me invadir por um sentimento nostálgico, completamente diferente daquilo que eu esperava sentir ao visitar a minha terra natal. Prometi então a mim própria que se Deus me desse vida, jamais ficaria ausente por tanto tempo.
Ao chegar à Cidade da Horta e ao passar pela marina senti uma lágrima rebelde me toldava a vista e,
Assim me despedi
Do cantinho onde nasci,
E lá resolvi deixar
Sementes a germinar.

Ali, eu hei-de colher
Os frutos daquele mar
E hei-de ir ao Pátio
Para ver as toninhas a bailar.


Fernanda

terça-feira, março 06, 2007

VONTADES

Acordei feliz, fui ao encontro do mar e um oceano de liberdade, mesmo vestida, mergulhei na água transparente de um mar azul. A espuma branquinha, acariciava a minha pele.
Gosto do mar, ele escuta-me, conto-lhe os meus segredos, falo de um amor azul, de um sonho azul, e ele também me diz muito…faz-me crer, que urge encontrar-me comigo mesma, convida-me a conhecer-me melhor.
Hoje grito a liberdade das portas abertas, a liberdade do vento e deixo-me molhar pela água e pelo sol da vida.
E vou…e quero…quero com optimismo dos que querem perseguir os rumos escolhidos.
Hum!!!
Vontade de correr,
Vontade de sentir,
Vontade de viver
E viverei
Hum!!!
Cheiro de maresia,
Da cor azul,
Do amor azul
Hum…



Fernanda
A CALDEIRA


Atravessando o vale dos Flamengos, região de courelas onde o verde das pastagens contrasta com o azul exuberante das hortênsias que dividem currais e pedaços de terra, numa tela geométrica, graciosamente ornada pela natureza.
Da freguesia dos Flamengos segui pela estrada que nos leva ao ponto mais alto da Ilha, a Cratera da Caldeira.
As bermas ladeadas de hortênsias de tonalidades dum azul etéreo e deslumbrante, acompanhava-me da Ermida de S. João até à borda da Caldeira. Aqui e ali, madeixas de junquilhos de cor amarela berrante pareciam querer seguir-me naquele passeio de sonho e cor. Lá no alto atravessei o pequeno túnel húmido que leva ao lado interior da borda da Caldeira, donde se avistam as vertentes a prumo e o fundo da cratera onde, outrora existia uma lagoa pantanosa, abundante de rãs e coloridos peixes de água doce, tão procurados pelos jovens no dia de S. João, tal como eu visitei em menina muitas vezes.
Prosseguindo por estradas de mato que me eram ainda conhecidas encontrei como outrora campos rodeados de pastagens circundadas por mananciais de hortênsias, num conjunto de pujança e beleza. Ao longe, desenhavam-se silhuetas de gado bovino, único sinal de vida daquelas paragens.

Fernanda

segunda-feira, março 05, 2007

Imformação da Caldeira
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Hortênsias lá no cimo da Caldeira
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Túnel húmido que leva ao lado interior da Caldeira
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Junquilhos a caminho da Caldeira
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Estrada a caminho da Caldeira-Faial
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Ermida de S. João-Faial Açores
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domingo, março 04, 2007

Nossa Senhora da Conceicão-Espalamaca
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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A nova vegetação

Fernanda,22/02/2007
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Farol dos Capelinhos

Fernanda,22/02/2007
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Escarpa do vulcão

Fernanda,22/02/2007
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“Como as sereias temos uma dupla natureza;
Somos de carne e pedra, os nossos ossos,
Mergulham no mar.
”Vitorino Nemésio

segunda-feira, fevereiro 19, 2007


Horta Vista da Espalamaca
A jeito de introdução

Não tinha a menor intenção, de escrever fosse o que fosse, quando me desloquei aos Açores em Junho de 2004. Porém, esta experiência de regresso, foi de tal modo marcante ao fim de quase trinta anos, que decidi registar encontros significativos, que jamais quero olvidar.
Assim, nasceu este molhinho de recordações, que tem como mérito partilhar, a experiência de regresso á Terra - Mãe que, à primeira vista se me apresentou diferente, mas no fundo não deixa de ser mãe e, como tal, sempre acarinha a filha ou filho que um dia regressa ao lar, embora só de passagem.
Obervar a minha ilha do Faial, as ruínas causadas pelo último sismo, as inúmeras casas totalmente demolidas, as igrejas de paredes rachadas, como é o caso da igreja das Angústias na cidade da Horta, como se tivessem sido atingidas por uma série de raios e das estradas abandonadas e fora de circulação, levou-me a recordar horas angustiadas, vividas por tantos faialenses aquando da erupção do vulcão dos Cape linhos e, senti - me deveras entristecer.
É que, esta visão do presente fez – me lembrar o que há muito vivi e aprendi sobre os sofrimentos e as calamidades que ao longo de cinco séculos, flagelaram o povo
Açoriano, consequência da sua situação geográfica e da natureza vulcânica do seu solo.
Através da sua existência, Os Açores enfrentaram terramotos e vulcões que derrubaram freguesias e dizimaram povoações inteiras e ainda os furacões e tempestades marítimas, que continuam a assolar as costas das suas ilhas.
A minha visita à Ilha que me viu nascer, depois de tantos anos sensibilizou-me profundamente. Frente ao farol denegrido, dos Capelinhos, olhando céu e mar a contrastar com o negrume da areia , recordei o terror dos tremores que nos abalavam frequentemente e, senti crescer no fundo do meu ser , um imenso respeito por aqueles que optaram por ficar na terra, lutando teimosamente para preservarem a sua açorianidade e a beleza do oásis, que são as nossas ilhas. Essa luta, por vezes titânica, não foi em vão. Apesar de tudo, os Açores conservam a pureza do ar, a limpidez das suas águas, a beleza inigualável das suas paisagens, a riqueza do seu solo, o azul celestial de mar e céu que as hortênsias matizam, o milagre verde da sua exuberante vegetação e, o seu povo continua a ser a mesma gente honesta, afável, generosa e hospitaleira que tem por lema, “Fazer bem sem olhar a quem”.
Ali, na minha terra de origem, ao fim de tantos anos senti renascer em mim, um sentimento mais forte de pertença; decifrei então letra por letra a palavra SAUDADE e, constatei que, nem o tempo nem a distância, lograram alterar as raízes da minha açorianidade. Nas voltas pela MINHA ILHA ENCANTADA, registei centenas de fotografias dos lugares, que tanto me fizeram sonhar aos longos dos anos.

sábado, fevereiro 17, 2007

Vista do Pico-A partir da Marina da Horta
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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Na praia da maré mansa

O poeta escreve as suas poesias,
Não sei se por ousadia,
de um destino diferente.
Vai levando o viajante,
A pensar na poesia.

Na praia da maré mansa
a areia é uma beleza,
que traça as vivas letras,
de poemas, de encantos
de versos exuberantes
do topo da poesia.

Na praia da maré mansa,
O sol nos ilumina
e nos transmite uma sina
de criar a todo o instante,
um poema brilhante,
na brisa da poesia

Na paria da maré mansa,
O poeta escreve a vida
mais restando a esperança
de sonhos e versos.
O poeta se lança
na praia da maré mansa
banhando-se de poesia.

Fernanda

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

terça-feira, fevereiro 06, 2007

AS TONINHAS

A toninha é um dos animais marinhas mais graciosos. Do lugar onde eu morava em criança, era frequente verem-se três ou quatro toninhas, pela tarde, saltando fora da água, em movimentos sincronizados como se uma delas comandasse e as outras seguissem todas a mesma cadência. Ficavam assim, às vezes durante uma hora e mais, como que a entreterem o pessoal, que se juntava no Pátio do Joaquim para admirar a dança das toninhas. Foi realmente uma coincidência agradabilíssima poder observar do mesmo sítio e depois de uma ausência tão prolongada, três toninhas cabriolando no mar, mesmo em frente ao Pátio, como se quisessem fazer-me recordar as horas que lá passara em pequena, a observar outras toninhas na mesma dança cadenciada.
Lembrei-me então de algumas histórias que meu tio contava…
Afirmava não ser capaz de matar uma toninha. Dizia que, uma vez tinha lançado as redes de malhar ao largo da costa do Varadouro, quando notou que uma toninha se tinha enrolado na rede e que, ao tentar libertar-se, cada vez se enrolava mais. Lançou então mão à faca, que tinha debaixo duma das tilhas da lancha e, trazendo até à popa o pedaço de rede onde a toninha se tinha enrolado, começou a cortar as malhas para libertar o animal. Dizia ele que, ao olhar a toninha, viu caírem-lhe dos olhos gotas de água que mais lhe pareceram lágrimas humanas. Por essa razão, afirmava, nunca ser capaz de apanhar uma delas, embora soubesse que a carne de toninha era muito apreciada por algumas pessoas.
Contava ainda que, “um dia por meio da tarde tinha ido pescar às garoupas de corrico”, quando começou a ouvir um som que mais lhe parecia um gemido. Olhou e voltou a olhar à sua volta, sem conseguir descobrir a origem do estranho lamento, que cada vez ouvia mais perto. Eis senão quando vê nadando paralela ao bote, uma toninha solitária. Que lhe pareceu doente,”até talvez” – dizia ele – “ela se tivesse afastado das companheiras e daí a razão porque parecia tão angustiada”.
Respirava à tona de água lançando um gemido e mergulhava um pouco, voltando logo a nadar a uns dois metros de distância do bote. Atirou-lhe então umas sardinhas, parte da ruama *petinga ou peixe miúdo* que ele usava para isco e, como que a agradecer-lhe, a toninha fez umas quantas piruetas mais perto do bote. Não levou muito tempo para que viesse comer as sardinhas à mão dele, soerguendo-se mesmo à borda do bote.
Afirmou meu tio que aquela toninha, lhe tinha feito companhia durante toda a tarde, pois que seguira-lhe os movimentos com receio que ela se engatasse nalgum dos muitos anzóis da linha de corrico.
Andou por lá pescando até cair da tarde e, quando levantou a linha, remou em direcção à terra e a toninha acompanhou-o até à costa. Dizia ele que, mesmo à entrada do Porto, ela deu ainda uns saltos graciosos como a despedir-se.
Não admira que tantos lobos-do-mar, em noite de lua cheia,
se tenham apaixonado pela graciosidade das sereias, que dançavam, sobre as águas, gemendo baladas, talvez por terem de passar a vida no mar, quando eram capazes,
de chorar, cantar, gemer e dançar em cadências ritmadas e graciosas, partilhando do mesmo ar respirando por esses que as ouviam e admiravam de longe em noites de calmaria…

Fernanda,







segunda-feira, janeiro 22, 2007

CONFISSÃO

Não é uma ilusão a desventura
A miséria, o desgosto, o sofrimento!....
Quem poderá sem dor, em um momento
Ver um filho descer à sepultura.

Deus que engendrou com o choro a criatura,
E lhe emprestou o forte sentimento,
Quis dar-lhe, de outra vida o entendimento
Através de infortúnios, de tortura.

Quem pensa jactar-se. Triunfante,
Neste mundo, nunca ter chorado
Esse é o néscio, o exemplo mais flagrante.

Homem honesto, aquele e acreditado,
O que aos céus, brada ser, em tal instante.
Extremamente infeliz e desgraçado.


Fernanda
MOINHO DA LOMBA

Da Lomba, lembro o moinho
Que remói meu coração,
Vejo as velas, pergaminho
A desfraldar com carinho
Histórias do meu torrão.

Suas pedras ainda erguidas
Na Espalamaca altaneira
Lembram histórias esquecidas
De muitas gentes partidas
P’ra tanta terra estrangeira.

Vejo-o soprar a tristeza
E reviver a saudade,
Que a mó vai esmagando
E vai no vento soprando
O tempo da mocidade.

E nessa ilha singela
Onde a vida não perdoa,
Do peitoril da janela
Vê passar em sua vela
O dia a dia que voa.

Que suas varas partidas
E suas velas rasgadas
Sejam do tempo as ermidas
De tantas obras perdidas
Nessas terras isoladas.


Fernanda,
GENTES DO MAR

Baleeiros, pescadores
Gentes de terras e mar,
No campo navegadores
Dos sonhos de alto mar.

Forjados p’ra trabalhar
Na escola que garantia
Trazer da terra e do mar
O pão duro de cada dia.

Lavradores diligentes
Da terra traziam pão,
No mar eram os valentes
Eu jogava o arpão.

E à noite à hora da ceia
Contavam com devoção,
À luz fusca da candeia
Lendas de baleação.


Fernanda,

domingo, dezembro 17, 2006

Areia de Porto Pim

A areia ainda é negra
E o sol fá-la brilhar,
Já não há homens na pedra
De caniço a pescar
Na noite,a tiritar.
A areia brilha ao luar
Que a lua vem atirar
Aos jovens enamorados,
Que passeiam enlaçados
À beira do mar.
A praia é sempre linda
E sabe contos de fadas
E beldades encantadas,
Estórias de gentes importantes
Que ao tempo eram visitantes
Vestidas de fatos finos
Em passeios clandestinos.
A praia agora é diferente.
Vigiada por salgueiros
Que se debruçam matreiros
A ver a vida passar
Nas ondas a caminhar.
Em meus sonhos sem fronteira
Vejo-a à minha maneira.
Ah! Areia de Porto Pim
Como te espraias em mim!
Fernanda,17 de Novembro

domingo, dezembro 03, 2006

Deixei-te chorando...

Paraíso de gaivotas livres,ondulantes
De imensos basaltos da mais negra cor,
Onde criancinhas brincam radinhantes
Onde o pobre é rico,vivendo de amor.

Aí,em teus campos,os melros bailando
Quebram o silêncio com seu chilrear,
E com suor do rosto,as terras regando
Trabalham os homens,sem nunca parar.

ILHA,és lavada por chuva caprichosa
Que campos matiza de rara beleza,
Fazendo de ti hortência formosa
Azul,cor de manto de velha nobreza.

Deixei-te numa tarde quente de calor
Minha alma repleta de mil sentimentos,
Tristeza,alegria,nostalgia amor
Saudades de filha,chorando lamentos.

Meus tempos de jovem,passei-os contigo
Correndo na costa,brincando no mar,
O tempo passou,esquecer não consigo,
Um dia em teus braços virei repousar.

Fernanda,3 de Dezembro de 2006

Tua influência ó mar!

Que influência tens tu sobre mim ó mar,
Que feitiço me fizeste,logo que nasci?!
Quando trite,sinto meu pranto rolar
Em ondas salgadas,que vêm de ti.

Amigo,companheiro da minha infância
Ouvia teu susurro ao anoitecer,
Numa canção que ensaiavas à distância
E me embalava p,ra me adormecer.

Quado te encontro,sinto renascer
A coragem,a força e a energia,
E a seiva que preciso p,ra viver
Vem de ti,num perfume de maresia.

Agora,da viagem já cansada
Sonho contigo,amigo dedicado,
Respiro o ar da noite despenhada
Em ecos,num pranto ainda salgado.

Fernanda,3 de Dezembro de 2006

Ali,nos Açores

Ali nos Açores tudo nos fascina,
O fumo das caldeiras,a essência das flores,
A paisagem que o Pico do alto domina
O mar submisso e as colinas de mil cores.

Ali,o homem que faz do basalto vinho
E do âmago do mar tira fatias de pão,
Para na esquina,p,ra ouvir com carinho
A história de algém que lhe aperta mão.

È ali no aroma duma flor silvestre,
Transpondo distâncias,atressa espaços
Leva a brisa morna ou o vento agreste
P,ra secar as lágrimas de rostos já lassos.

Foi ali,aonde o mar abraça o mundo
Onde açucenas virgens,proclamam pureza
Que eu deixei a minha alma num sono profundo
Num beijo de açor-sonho de beleza.

Fernanda,3 de Dezembro de 2006

S.Miguel-Campinas e Mar

Nos campos,as cascatas de hortências
Desciam da terra em torrentes de cor,
Serena campina,suaves dolências
Prados delumbrantes regados de amor.

Flora exuberante,verdes matizados
Madrugadas de névoa,noites orvalhadas,
Sonatas de pássaros,florestas e prados
Cânticos,gorjeios em vozes trinadas.

Marés de estanho,costas recortadas
Sem horizontes,brumas misteriosas,
Maroiços,negrumes,furnas encantadas
Vulções embalados por águas morosas.

Sonhos revividos,encantos,miragens
Memórias de outrora que o fogo incendeia,
Aventuras de mar,perigos e viagens,
Histórias contadas à hora da ceia...Fernanda,3/12/06