terça-feira, novembro 04, 2008
EXALTAÇÃO !...
Fotos da Ilha Terceira-Açores
O tempo vai rolando como esfera
deixando bem marcada a solidão !...
O sol, não sendo mais que uma quimera
Não chega p'ra aquecer o coração !
São jovens que saltitam à espera...
Vivendo com a vida em ilusão !
São velhos que recordam outra era
saudosos de desejo e de paixão !
Com dias de Outono inda a brilhar
com forças continuo a recordar
lá longe, muito longe, os teus segredos...
Apesar de perdidos nos espaços,
em sonhos os embalo nos meus braços
e tento agarrá-los nos meus dedos !...
Fernanda Costa
Lisboa, 4 de Novembro de 2008
quarta-feira, outubro 29, 2008
RENASCER !...
A seiva escaldante fecundou
e da terra brotaram os botões.
Sementes que o sereno dispersou
em luz de desvairadas convulsões.
Até mesmo o silêncio já cantou
em sentidos acordes de emoções,
como todo aquele que amou
e soube engravidar os corações !
A brisa, sol doirado e tudo enfim !
Com ventos perfumados de jasmim,
são grutas a esconderem os desejos !
Renasce a vida, amor, em extremos tais
Com frutos saborosos e trigais
que despertam a fome dos teus beijos !
Soneto & Fotos;
Fernanda Costa
Lisboa, 29 de Outubro de 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
SEGREDOS !...
Como era sedutora aquela estrela
que para mim sorria lá no céu !
Pedia que chegasse junto a ela,
pois sabia um segredo que era meu.
Fiquei extasiada. Era tão bela !
E, porque a escolhida era eu,
insiste no sorriso e apela:
«Dorme o sol ! Aproveita. O espaço é teu !»
Empreendi veloz a caminhada.
Juntei-me a ela deslumbrada.
Bebi a sua luz e os seus segredos !
Silenciosa e frágil de ternura
recordou-me um momento de ventura
com gaivotas amando nos rochedos !
Soneto & Fotos;
Fernanda Costa
Lisboa, 23 de Outubro de 2008
domingo, outubro 19, 2008
BEM DISTANTE !...
Junto ao mar, perguntei-lhe se te vira,
após te procurar, mas sempre em vão !
«Não o vi», respondeu, «nem admira,
pois sempre que aqui passa é um tufão !»
«Se o vires, oxalá Deus permita !
Dá-lhe saudades minhas de emoção !
E diz-lhe que a minh'alma é que suspira
pois já perdi há muito o coração !»
O mar olhou-me um pouco altivamente,
mas sorriu como o sol no seu nascente,
continuando, incessante, a marulhar !
Então estremeci por um instante.
Tu estavas comigo, bem distante...
Eu sempre pressurosa em te encontrar !
Soneto & Fotos:
Fernanda Costa
Lisbos, 19 de Outubro de 2008
domingo, outubro 12, 2008
INTEMPORALIDADE !...
Meu Amor, porque havemos de gritar
as loucuras da nossa mocidade ?
Ainda é cedo para recordar,
porque nem tu nem eu temos idade !
Como o sol no seu leve declinar
esperando o devir da eternidade,
quero ser uma estrela a iluminar
a tua caminhada de saudade !
Depressa, não te faças esperar !
desejo ardentemente ser amada
tenho um coração grande p'ra te dar !
Quero trepar colinas de desejo !
Quero sentir tua alma inebriada !
Quero sorver um longo e terno beijo !...
Soneto & Fotos,
Fernanda Costa
Lisboa, 12 de Outubro de 2008
terça-feira, setembro 30, 2008
AMOR EM REVOLTA !...
Já não estávamos sós Amor tudo mudava
será que tudo mudava meu Amor
só porque o vento
em turbilhão se enrodilhava nessas velas
nesses moinhos em cujos braços se entregava
D. Quixote ajoalhado junto ao túmulo
da sua Dulcineia que dormia
e envergonhada Amor também sorria
do amor que D. Quixote lhe ofertava
e por que paravam então os moinhos meu Amor
se o vento tão forte em vendaval
dentro das asas que D. Quixote idealizava ?...
Entre comícios entre gritos de revolta
que as nossas mãos nas tuas mãos enlouqueciam
nessa aventura onde se desprendiam as amarras
onde os nossos cabelos em desalinho
se soltavam
seria meu Amor meu grande Amor
a nona sinfonia de Beethoven
que entre duas canções de amor
nos embalava ?...
Seria apenas Amor esse sabor
esse eterno sabor a desconhecido que nos adulava
nas pontas das baionetas que suspensas
transbordavam através dos jardins da imensidão
nos aromas de uma canção simples e pura ?...
Que por ser de intervensão Amor por ser tão simples
nos assombrava meu Amor e em desespero
nos sossegava meu Amor
nos sossegava !...
e meu Amor nós recriávamos as gaivotas
num imenso quadro de Gauguin ou de Van Gogh
porque as inventávamos na vermelhidão do nosso Amor
que impetuosamente à noitinha regressava
e ficávamos sós Amor
outra vez sós
entregues a uma desconhecida angústia que amanhecia
junto aos cravos que carinhosamente colocávamos
sobre as teclas de um piano que tocava
novamente para nós amor
só para nós !...
Soletrávamos Sarte nos intervalos do dilúvio
reinventávamos Camus meu Amor a horas mortas
quando no absurdo o misturávamos em sossego
entre dois copos de uísque bem gelado
com um concerto de Mozart que irrompia pela noite
na obscuridade do sofá onde fazíamos
amor até altas madrugadas
e ninguém nos via
quando Mozart se misturava com Camus
e Sarte ficava assim tão sorridente
contemplando a ingenuidade do nosso amor
a nossa ingenuidade amor !...
A nossa ingenuidade !..
Dormíamos a sono solto Amor
porque dormíamos
com Che Guevara à cabeceira iluminado
no altar das nossas próprias indecisões
abraçados meu Amor sempre abraçados
enviesados na sofreguidão com que vivíamos
as ressacas que nas vésperas eram sentidas
nos vergões que nos acalmavam as madrugadas
Éramos heróis por alguns dias Amor
só alguns dias
enquanto a chama se chamava liberdade
e esquecíamo-nos meu Amor tudo esquecíamos
quando já tarde já muito tarde nos entregávamos
aos acordes solitários dos violinos
que bem longe amor lá muito longe
quase em surdina meu Amor muito baixinho
voltavam a tocar tranquilamente
tão sereníssimos Amor !...
Tão devagar !...
e ao sabor das apetecidas coisas que inventávamos
íamos procurando amor nas nossas mãos vazias
uma a uma as flores que se queriam libertadas
e que aprisionadas nos sorriam Amor
como sorriam !...
Fernanda Costa
Lisboa, 30 de Setembro de 2008
sábado, setembro 20, 2008
AMOR ADIADO
Entre sussuros entre ameaças de desgraça
ouviam-se ao longe as flautas os tambores
ocultando os violinos Amor que em sossego
choravam perdidamente de amor por serem breves.
Choravam por todos os amores prostituídos
que nos cabelos já desgrenhados se vendiam
junto às espingardas que em nossos corpos se enlaçavam
e ficavam sem amor porque sofriam
adiávamos tudo amor tudo adiávamos
nas baladas que misteriosamente nos percorriam
eram quebradas todas as margens que nos chamavam
entre blusões e calças jeans que se rasgavam
para nos amarmos em todos aqueles que ao partirem
se aconchegavam junto às lágrimas que doíam
germinando nas pálpebras amigas meu Amor
de todos os que embora inteiros
ainda viviam !...
e nós desesperávamos Amor porque sonhávamos
adiando todo esse amor que se perdia
num adágio de Tchaikovsky que soava
entre duas violas pachorrentas que m0rriam
que ainda morriam de amor
enquanto esperávamos
e enquanto esperávamos meu Amor
nós resistiamos !...
Era o amor meu Amor que se apagava
nos ventos solitários que longe lá muito longe
nos seduziam
era o amor meu Amor que se anunciava
num Maio de Sessenta e Oito que nos gritava
húmido de preces em todos os lençóis onde dormíamos
onde dormiamos Amor desesperados
e em desespero morríamos Amor
como morríamos !...
Chorávamos como Tristão chorava
por Isolda !...
Iamo-nos inspirando meu Amor devagarinho
num quadro de Picasso inacabado
em Guernica seguindo os passos do inferno
que os nossos corpos soluçantes atormentavam
desvendávamo-nos para além da solidão
e embriagados aos solavacos nos beijávamos
recordando ao serão Amor a nossa infância
bem juntinhos a uma valsa de Strauss
afectuosa infância meu Amor que escondiamos
nas algemas onde apressadamente envelhecíamos
e esboçávamos sempre mais um sorriso meu Amor
enigmático e ténue sorriso que lembrava
os dedos de Da Vinci desenhando
os lábios de uma Gioconda que sofria
e que sorria como nós Amor
como sorria !...
a Gioconda onde Da Vinci se eternizava.
Fernanda Costa
Lisboa, 2o de Setembro de 2008
sábado, setembro 13, 2008
AMOR PROIBIDO
Pressentiam-se os violinos no silêncio
desse amor que já fora de Pedro e Inês.
Mas nós caminhávamos ausentes meu Amor
suspensos de uma certa flor que renascia
nos gestos adivinhados que nunca acontecendo
serenamente em segredo quase que aconteciam.
Até que dentro de nós por fim se iniciasse
essa imensa e estranha ode à alegria
que Beethoven junto a nós se esforçava
por trazer entre os dedos entre estes lábios
essa força de reunir todos os dias
num só dia Amor !... apenas num só dia !...
Mas nós Amor sozinhos estremecíamos
ficavamos presos às teclas de um piano que tocava
naquelas madrugadas já frias tão distantes
um místico nocturno de Chopin que de tão triste
entristecia aquelas manhãs da nossa ausência Amor.
Como era triste !...
Como era triste Amor a nossa ausência
quando Chopin se cobria de negro e resistia
nos nossos olhos já húmidos de cansaço
e sofria sozinho Amor.
Como sofria !...
E nós adormecíamos tão longe das nossas mãos
que Deus já distraído Amor se esquecia
de tudo o que em nós quase que acontecendo
nunca acontecia Amor !... nunca acontecia !...
Éramos Romeu e Julieta entre grinaldas
entre cambraias e cetins entre açucenas
suspirávamos de Amor como convinha
a tanto Amor a tanta ilusão comprometida.
E sempre sorrindo amor nós respirávamos
os sorrisos que inventávamos mansamente
junto às suavíssimas mãos que nos cercavam
aquela tão pequenina lágrima que partia.
Era o Amor que ausentando-se de nós Amor
nos magoava !...
Era o Amor que ausentando-se de nós Amor
tanto nos feria !...
E nós amor sentados ao piano nas madrugadas
com as minhas mãos nas tuas mãos nas nossas mãos
espreguiçávamo-nos em todas as inspirações que nos exaltavam
distribuíamo-nos em todos os sorrisos com que sorríamos.
E como sorríamos Amor !...
como sorríamos !...
Fernanda Costa
Lisboa, 13 de Setembro de 2008
sexta-feira, setembro 05, 2008
AMOR RENASCIDO
Entre Galáxicas meu Amor vislumbramos
nesta sofreguidão do espaço entre certezas
caminhamos novamente meu Amor com as tuas mãos
nas nossas mãos entrelaçadas sobre o peito.
Que idade temos meu Amor ?... Qual a idade
que os velhos do Restelo nos dariam meu Amor
se nos vissem assim juntos apaixonados
celebrando uma sonata de Chopin à luz das velas ?...
Artisticamente incendiadas meu Amor
por um raio lazer que ainda brilha nestas taças
onde comemoramos estes cânticos que se abraçam
nestes sons de uma sinfonia no começo.
Abriram-se todos os círculos que nos rodeavam meu Amor
neste início reiventado junto do Mar
neste sonho remoído por silêncios
nesta velhice sábia de enganos e segredos.
Beijemo-nos então meu Amor deliciosamente
tão deleciosamente Amor!...
Tão devagar!...
Vem daí meu Amor vamos dançar
nesta nossa primeira viagem interplanetária!...
Se Renoir nos visse meu Amor se ele nos visse
talvez os seus pincéis se colorissem novamente
e nos pintassem meu Amor assim dançando
neste ambiente familiar que redescobrimos.
Ou reencontrámos meu Amor no esquecimento
que tinhamos ao partir ao deslocar
afinal meu Amor valeu a pena
vamos ouvir Beethoven de novo meu Amor.
Podemos agora envelhecer neste Milénio
com um ramo de flores no meu regaço para distribuir
por todos estes anos que perdemos longe do Mar
por todos estes anos que perdemos meu Amor.
Sempre a sonhar Amor!...
Sempre a sonhar!...
Fernanda Costa
Lisboa, 5 de Setembro de 2008
sábado, agosto 30, 2008
AMOR COMPREMETIDO
chorando junto ao mar este regresso
em alazões de asas douradas meu amor
em comprometedoras manhãs de nevoeiro.
Estamos aqui meu amor de olhos fechados
aguardando que D. Sebastião se reencontre
com o azul desta orfandade ou maldição
como estátuas que as areias modelassem.
Mas as nossas mãos amor!... as nossas mãos!...
onde estão elas amor ?...
onde elas estão?...
Onde estão as nossas palavras sacudindo-se
imberbes aloiradas ressoando
percorrendo-nos inteiras como cânticos
que flutuassem geométricos verticais
ao sabor das liberdades verdadeiras ?...
Onde estão as nossas palavras meu amor ?...
onde estão elas amor ?...
onde elas estão ?...
Tinhamos uma flor em cada mão em cada peito
e em cada solução nos abraçávamos.
Nesta apoteótica espera que nos move
numa vivência de Vivaldi que nos acalma.
ou na brusquidão subitamente acontecendo
de uma sinfonia de Wagner que atordoa.
Esta pintura de Malhoa olhando o mar
nos medos que cheios de medo ainda sofremos
na ilha dos amores de onde emigrámos
e onde sonhámos meu amor
como sonhámos!...
Fernanda Costa
Lisboa, 30 de Agosto de 2008
quarta-feira, agosto 27, 2008
ENCANTAMENTO!...
como só beijar sabem os amantes...
Com a Alma aquecida e a pele doirada
pensava que era jovem como dantes.
E pelo calor estonteada,
recordava momentos delirantes!
Então, mais do que nunca deslumbrada
vibrava com os seus raios palpitantes!
Pensei que se assim fora a eternidade
não teria, jamais, a faculdade
de recordar momentos bons d'outrora!
Oh Sol, que és a fonte da existência!
Quero viver contigo a tua essência
e sentir que o "dantes" inda é "agora".
Fernanda Costa
Lisboa, 27 de Agosto de 2008
sexta-feira, agosto 22, 2008
GIRASSÓIS!...
Encantamento tal, louca ventura!
Palavras para quê, se era princesa
coroada por tanta formosura ?
Girassóis agitavam a beleza
num fim de tarde, grito de procura...
Suas hastes continham a leveza
duma corola aberta e insegura!
Um momento de sonho e de verdade!
Eu era uma princesa sem idade
perdida, sem saber por onde vim!
E enquanto o sol se ia escondendo
com sombras que me iam envolvendo,
achei uma perdida igual a mim!...
Fernanda Costa
Lisboa, 22 de Agosto de 2008
sábado, agosto 16, 2008
ÊXTASE!...
batido pela brisa do luar!
És sopro dum farol iluminado
com luzes já difusas a piscar.
És dum tempo vivido, mas passado...
Erguido bem pertinho do meu mar.
Por isso, para mim, tu és sagrado!
És mistério infinito a murmurar!...
Quantas vezes, oculta junto a ti,
me lembro dos momentos que vivi
em louca correria de ilusão!
E hoje, como sombra enluarada,
ainda continuo extasiada,
porque nada na vida foi em vão!
Fernanda Costa
Lisboa, 16 de Agosto de 2008
domingo, agosto 10, 2008
VIVÊNCIAS!...
Colhi o Sol com cheiro a maresia.
Colhi todo o Amor de ser criança.
Colhi muitos Segredos dia a dia.
Guardei-os recheados de Esperança
vibrando com a Vida em sintonia!
Baloucei com os Ventos sempre em dança,
como um Pássaro tonto de folia!
Os frutos, o amor e os segredos
levaram-me a perder todos os medos
para não me quedar, desencantada!
Agora, evocando o que vivi
e tentando esquecer o que sofri
Feliz, prosseguirei na caminhada!
Fernanda Costa
Horta, 10 de Agosto de 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
CÂNTICO!...
copado de folhinhas de ulmeiro!
Escrever para ti um doce cântico
enfeitado com rendas de loureiro!...
Eu queria fixar neste cântico
dos olhos teus o brilho feiticeiro!...
Atravessar contigo o Atlântico
p´rachegarmos depressa ao nosso outeiro!...
Então, encontraremos a guarrida
de rochas que convidam para a vida
e Aves que estremecem a dormir!
Gritando o nosso cântico de amor,
sorvamos deste tempo o seu sabor
e veremos Estrelas a cair!!!
Fernanda Costa
Horta, 6 de Agosto de 2008
domingo, julho 27, 2008
OS TEUS OLHOS
E um sorriso de sombra enluarada!
Tua voz era música de lira...
Teus braços uma gruta encantada!...
É difícil travar do tempo a ira
Quando há ventos agrestes e geada...
Mas se há um coração qu'inda delira
Toda a força do tempo é dominada!
Cheguei à conclusão... E com vaidade
Que as vivências da nossa mocidade
Conseguiram de mim fazer "rainha".
Os teus olhos, agora, são canção
Dos tempos bem distantes que lá vão
Diluídos em vida que é só minha!
Horta, 27 de Julho de 2008
Fernanda Costa
sábado, julho 05, 2008
PLENITUDE!...
também eu aderi aos teus desejos!
Como uma incandescente madrugada
e pus todo o meu corpo aos teus beijos!
Eu recebi e dei extasiada,
vivendo a acreditar nos teus cortejos!
Era sempre uma noite costelada
ouvindo, embriagada os teus harpejos!
Chamei o Sol, a Luz e o Calor,
e todos responderam á chamada!
De mãos dadas, os cinco com sabor
aguardamos nascer a alvorada!
Ela surgiu vibrante de fulgor
rescaldo de Estrela apaixonada!
Era quadro pintado sem pintor
de cabeleira solta, desgrenada!...
Olhaste-me sereno e recolhido
como esbatida luz crepuscular!
Lá de longe, muito longe, escondido,
dos teus olhos brotava o azul do mar!...
Fernanda Costa,
Horta, 5 de Julho de 2008
quarta-feira, junho 25, 2008
DE MÃOS DADAS!...
Um gesto emotivo e escaldante!
Um só eco longínquo a flutuar!
Um só sorriso terno e confiante!
Eis o que chega para m’ofertar,
Como corola aberta e palpitante!
Com o odor salgado do meu mar
E murmúrio do rio sussurante!
Já fomos alvorada radiosa
Com laços de ternura a derramar!
Já fomos madrugada luminosa
Com raios bem fulgentes de luar!
Já fomos uma fonte impetuosa
Com força p’ra poder dessedentar…
Já fomos cotovia maviosa
Com gorgeios perdidos de encantar!
É um sonho álacre ainda em flor!
Horizonte pleno de gargalhadas!
Caminharemos para a eternidade amor
Sorvendo o nosso tempo de mãos dadas!
Fernanda Costa
Horta, 25 de Junho de 2008
quinta-feira, junho 19, 2008
SEDUÇÃO
com um doce sorriso a seduzir!
Encontrei-te sozinho, junto ao mar
e pediste silêncio p'ra te ouvir!
»Quero-te junto a mim neste lugar
que desejo contigo repartir!...
É tempo de vivermos a sonhar
Esquecendo que a vida vai fugir«
Afinal procuravas também luz...
Nos meus olhos, a brilhar
qualquer coisa que eu sei que traduz
que é melhor encontrar que procurar!...
E quando de Sereia me chamavas
nos teus loucos arroubos de desejos!...
Quantas vezes pensaste que afogavas
a tua sede louca nos meus beijos!
Como tu te enganas-te, meu Amigo!
do teu sonho e da tua realidade
eu nunca fui Sereia mas, abrigo!
que apagou os vestígios da verdade!...
Fernanda Costa
Lisboa, 19 de junho de 2008
segunda-feira, junho 09, 2008
AMAR DE MAIS É LOUCURA!...
para o amor não cansar...
Ama, exige ser amado
sem Excessos de paixão
porque um ser apaixonado
deixa de ver a razão.
E o amar, cegamente,
ainda que o não pareça,
tem levado muita gente
a portar-se infantilmente
e a perder a cabeça.
Num amor equilibrado
cada um dos dois assume
o controlo do seu lado,
sem escravizar, sem ciúme,
saber amar e ser amado
não há mais belo perfume.
Amar com sinceridade,
sem nada ter que inventar
dando o que se tem p'ra dar,
naturalmente, à vontade,
é amor, é lealdade
que nunca vai saturar
e jamais pode acabar.
Amar de mais é loucura,
amar de menos cinismo,
mas, amar com egoísmo,
é muito pior, satura!
Portanto se amares, procura,
amar com conta e medida
para não teres na vida
um amor que é uma tortura.
Fernanda Costa
Lisboa,09 de Junho de 2008





















